Se você ainda pede ajuda para a TI, precisa ler esse artigo

Agora as empresas não têm suporte da tecnologia, elas são a própria tecnologia

Pedro Bicudo

02/04/2019

A Tecnologia da Informação surgiu no finalzinho do segundo milênio e culminou com o estouro da bolha ponto com no ano 2000. Este período foi marcado pelas expectativas em relação ao novo ciclo que estava por começar e, desde então, a TI vem se reinventando múltiplas vezes. O licenciamento de software está dando espaço ao open source. A posse de ativos está cedendo à nuvem. O modelo as-a-service vem crescendo consistentemente.

 

Na época de seu nascimento, a TI surgiu como suporte ao negócio, automatizando processos, e atualmente vem sendo rapidamente absorvida e misturada na empresa digital. No novo milênio, a empresa digital não tem suporte da tecnologia. A empresa digital é a PRÓPRIA tecnologia. A questão é: você está preparado para fazer parte desse cenário?

Agora, novas competências são necessárias para toda a classe de colaboradores, pois todos — sem exceção — são de tecnologia e de negócios. Não existe mais separação. O profissional não pode responder a um questionamento dizendo: “vou perguntar para TI”, pois o conhecimento em tecnologia está (ou deveria estar) inserido na profissão de cada um. É isso que as empresas esperam de seus funcionários.

 

Em uma analogia simples, imagine que há quinhentos anos o capitão da caravela tinha o que podemos comparar a uma “pessoa de suporte de tecnologia”, que sabia usar o astrolábio para indicar a posição da caravela no meio do oceano. Hoje, um comandante de avião sabe calcular a sua localização e não tem mais esse suporte, simplesmente porque o próprio avião já é um produto digital. Da mesma forma, no ambiente corporativo precisamos estar preparados para assumir este papel de piloto dentro das nossas funções.

O novo cenário não precisa ser temido, e sim visto como oportunidade. Acredito que a inserção da tecnologia cognitiva e analítica que aprende e fornece previsões produz um aumento da capacidade humana que marcará o terceiro milênio. Mesmo assim, não faltam artigos e livros em torno dos novos riscos que surgem com a inteligência artificial, e o medo é um instrumento importante para nos forçar a avaliar as consequências. Isso não significa que vamos impedir o desenvolvimento da I.A, e sim que devemos nos preparar para ela. Estamos vivendo um processo evolutivo irreversível.

Pode parecer exagero relacionar a transformação digital à evolução humana, porém, o termo “digital” é o que melhor descreve o nosso momento. A evolução está ligada à tecnologia aplicada ao aumento da capacidade humana em vários aspectos. Estamos vivendo por mais tempo devido à tecnologia utilizada na produção de alimentos e medicamentos. As taxas de mortalidade infantil continuam decrescendo e sofisticados sistemas de inteligência nos ajudam a identificar onde e quando atuar para eliminá-la. A produtividade individual não para de crescer, com sistemas inteligentes nos assessorando em tudo. O uso de TI já é tão comum e tão inserida no dia a dia que é impossível listar todas as possibilidades.

 

Quem sabe, o que marcará o terceiro milênio é a tecnologia, elevando a capacidade humana a um nível muito superior de inteligência. Tudo será digital, algo que já estamos próximos de alcançar em menos de 2% do tempo desse milênio. O que importa agora é aprender a usar as novas tecnologias que viabilizam os negócios digitais e desprender-se das limitações do milênio passado. Para os profissionais, aprender e aplicar intensamente a inteligência artificial e computação cognitiva é imperativo para sobrevivência nessa nova realidade.

 

E como ficam as empresas de TI?

 

Para as empresas fornecedoras de TI, essa corrida pelo conhecimento já começou. Os negócios digitais produzem uma ruptura nos modelos tradicionais de TI. SaaS substituindo as antigas práticas de licenciamento é apenas o começo; todo o processo de criação, inovação e geração de propriedade intelectual está em transformação. A velocidade de criação precisa ser mais intensa. O modelo de colaboração impõe novas formas de avaliação de desempenho e remuneração dos funcionários. Os canais de distribuição de produtos são diferentes, assim como a estratégia de vendas.

 

O modelo de negócios do fabricante e do provedor de serviços mudam radicalmente. Agora organizados em ecossistemas, a fronteira entre fabricante e distribuidor deixa de existir, demandando um modelo colaborativo de criação e comercialização. O sentido da palavra competidores está mudando. Todos são parceiros de todos, criando ecossistemas de valor agregado, em vez de uma empresa competindo com outra em todas as linhas de produtos e serviços. A distinção entre produto e serviço está se diluindo gradualmente. Com linhas de separação que ficaram cinzas e borradas, a própria definição de setor ou mercado está em transformação.

 

O negócio disruptivo não é uma tecnologia. Não é Blockchain ou cognitivo ou Cloud ou qualquer outra tecnologia. É o todo que está transformando nossa existência de forma irreversível.