Empreg(h)abilidade

Você só está inovando quando te chamarem de louco

Já larguei um ótimo emprego. Já me chamaram de louco. Mas nunca de preguiçoso

Fernando Palacios

Você só está inovando quando te chamarem de louco

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Há quem diga que o termo inovação ficou desgastado. Entendo. Foi usado tantas vezes, por tanta gente, em tantos contextos que hoje perdeu um significado preciso do mesmo jeito que uma faca velha acaba perdendo seu fio de corte.

 

Mesmo assim gosto da ideia por trás da palavra. Aos 25 anos abandonei não só um emprego ótimo, como toda uma carreira promissora para inovar na forma de fazer marketing e comunicação. Foi assim que surgiu a Storytellers. Foi a Storytellers que trouxe o tema do Storytelling ao Brasil. Tanto na teoria quanto na prática. Logo no primeiro ano fizemos game online, ações sensoriais em cinemas e até transformamos 1248 slides corporativos em um espetáculo teatral.

 

A partir desse momento de vida, passei a amar viagens. Coisa que até então eu achava ser pura perda de tempo. Também aprendi a amar testar ideias e improvisar em público. Passei a usar minha própria vida de laboratório. Um exemplo que ilustra bem: cheguei a viver meses dormindo no máximo vinte minutos. Li trinta livros em duas semanas de férias. E ouvi. Ouvi muito. Ouvi de todos meus amigos uma mesma frase. Ouvi que eu estava ficando louco. Hoje é fácil chamar de visão. Mas mesmo na época nada disso me abalou.

Se todos estavam indo pra um mesmo lado, eu tinha uma satisfação muito grande de explorar um outro caminho. Passei a usar minha própria vida de laboratório.

Se todos estavam indo pra um mesmo lado, eu tinha uma satisfação muito grande de explorar um outro caminho. Com o tempo vieram os resultados. Deles surgiram os entendimentos. Com o tempo fui descobrindo as técnicas.

 

No fim, percebi que ao tentar reinventar minha profissão, acabei por inventar meu próprio emprego. Feito sob medida pra mim. Trabalho as horas que eu quero, em projetos que eu gosto. Tenho tempo de estudar, de testar, de mergulhar em qualquer assunto que entre no meu radar. Com tudo isso, rendo ao máximo e podendo conciliar viagens. Passo meses fora todos os anos.

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Graças a essa reinvenção do meu próprio emprego, pude conhecer mais de cinquenta países e, o mais legal, dar cursos e palestras em dez deles. Nos últimos dois anos, fui convidado três vezes para ir à Índia. Duas delas para receber maior prêmio mundial sobre Storytelling. Sou a única pessoa na América Latina a receber o prêmio World’s Best Storyteller, eleito por uma comissão de Harvard e Oxford que escolhe o principal nome de cada continente.

 

Com experiências internacionais e visão multicultural, acabei tendo oportunidade de capacitar centenas de C-levels. Isso me ajudou a entender como pensam e o que buscam. A partir daí, melhorei ainda mais os cursos para gerentes e analistas que precisam se reportar a eles. Uma coisa puxa outra, como em todo bom enredo.

 

Foi assim que cheguei aqui. Nesse espaço. Com o pessoal da IT Mídia. Em 2015 eles me convidaram para ministrar um workshop para CIOs durante o IT Forum. A ideia era ensinar como eles poderiam apresentar suas ideias e projetos tanto para outras áreas quanto para aprovação do board. Fui um pouco receoso, achei que o pessoal dos bits and bytes poderia achar lúdica demais essa história de contar histórias. Pelo contrário, foi um sucesso. Todos ficaram entusiasmados em saber que narrativa não é questão de dom ou talento, mas de técnica. Dá pra aprender e aplicar e transformar. Depois disso a parceria com a IT Mídia cresceu e reinventamos todos os produtos em cocriação. Uma nova era para a IT Mídia e para o mercado de T.I.

 

Chegou a hora de darmos mais um passo juntos. De preparar o setor de T.I. para desafios maiores. O LinkedIn divulgou que “soft skills” são os abismos que mais crescem entre o que empregadores buscam e o que os entrevistados oferecem. Esses soft skills incluem comunicação, gestão de pessoas e liderança. Foi justamente isso que passei mergulhado, estudando industrialmente, durante a maior parte da minha vida.

 

Trarei aqui, nessa coluna, tudo o que colhi nessa jornada até aqui. Vou apresentar de bandeja o que levei décadas para aprender. Assim, mais pessoas vão poder desfrutar e evoluir muito mais rápido do que eu. Afinal, assim caminha a Humanidade: inovando e se reinventando cada vez mais rápido.