10 habilidades para garantir seu futuro profissional

Não importa o que você tenha estudado ou mesmo que carreira tenha sonhado. Na nova dinâmica global, tudo precisa ser repensado e reconstruído

Vitor Cavalcanti

09/08/2019

Você deve estar pensando: por que eu leria um conteúdo sobre 10 habilidades essenciais para garantir meu futuro profissional numa sexta-feira? Na real, se você ainda divide sua semana entre dias úteis e não úteis, onde os não úteis (que na verdade começam na tarde de sexta) não servem para trabalhar ou ao menos refletir sobre qualquer aspecto da vida profissional, sinto te informar sua mentalidade está extremamente ultrapassada e, muito provavelmente, você não terá espaço nessa sociedade que emerge. Dinâmica, ágil, complexa, cheia de novidades, com elevado nível de automação, sem emprego formal para todos e onde saber o básico não te levará muito longe, essa é a realidade que se configura. Por isso, insistimos: continue lendo este conteúdo e procure por outros para complementar seu conhecimento. A sexta é longa e, mesmo se dedicando um pouco a esse texto, você ainda poderá confraternizar com amigos ou familiares.

 

Mas voltando ao ponto focal deste artigo, neste mundo ainda estranho que se forma, está difícil prever exatamente o que irá acontecer no mercado de trabalho. Falar de cargos/carreiras do futuro, então, nem se fala. No Brasil, por exemplo, um estudo da Universidade de Brasília aponta que 30 milhões de posições de trabalho serão substituídas por robôs ou processos de automação até 2030. Estudos do Fórum Econômico Mundial dão conta de que as crianças que nasceram em 2018 e 2019 vão ocupar em sua maioria profissões que ainda não existem – e que, na verdade, não sabemos quais são. Mas essas crianças terão tempo hábil para aprender e, mais que isso, estarão imersas nessa cultura que se forma. Enquanto os adultos atuais precisam correr para ter um lugar ao sol. De tudo que se pesquisa ou mesmo se conversa com os mais renomados especialistas em carreiras, o que se conclui facilmente é que, não importa sua atual carreira, algumas novas habilidades precisarão ser aprendidas. E elas serão fundamentais para te manter na profissão atual (caso ela não seja extinta) ou para te ajudar a ressignificar seus talentos e te colocar em posição para disputar outras vagas ou mesmo partir para uma empreitada individual.

Todo esse alvoroço tem diversas causas. O avanço da tecnologia, principalmente inteligência artificial e machine learning que, juntas, promovem um altíssimo nível de automação, somado a um mundo mais conectado, ao aumento da longevidade e a uma nova consciência ambiental, juntos, contribuem muito para todas essas mudanças e tornam o ambiente profissional um xadrez cada vez mais complexo de resolver. Para que você tenha alguma chance nesse jogo – que é global – deixamos aqui 10 habilidades que você deve desenvolver para o bem do seu futuro profissional.

 

1) Pensamento crítico

A expectativa é que cresça muito rapidamente o contingente de trabalhadores remotos. O trabalho por meio de sistema de colaboração em nuvem será mais comum e frequente e, com isso, será exigido dos profissionais uma capacidade de resolução de problemas muito maior. Para isso, é essencial o pensamento crítico, aquele olhar de fora para avaliar, entender e ter a possibilidade de sugerir algo para sanar as mais diversas situações. As empresas têm buscado isso mesmo para aqueles profissionais em regime presencial, uma vez que as equipes estão mais reduzidas, a proatividade é algo fundamental. Ler mais, estar atento aos detalhes e procurar não olhar para o retrovisor ajudam muito nesse processo. Em meio a situações complicadas, sempre vale também se perguntar: o que não estou fazendo? Essa simples pergunta muitas vezes abre caminhos para soluções simples e que estão em nossa frente.

Sempre vale se perguntar: o que não estou fazendo? Essa simples pergunta muitas vezes abre caminhos para soluções simples

2) Colaboração virtual

Se antes o argumento do trabalho remoto era apenas fugir do trânsito das grandes cidades, com a tendência ainda mais crescente de times globais interagindo o tempo todo, se adaptar ao trabalho virtual se faz essencial. É preciso desenvolver a capacidade de ser produtivo trabalhando remotamente por meio das mais diversas ferramentas e se fazer presente como integrante de uma grande equipe mesmo que você praticamente não tenha encontros presenciais com seus colegas de trabalho. Ferramentas colaborativas como as plataformas Office 365 e Google G Suite, entre tantas outras existentes no mercado, precisam estar em sua rotina. Aquele hábito de salvar arquivos na própria máquina precisa deixar de existir, o uso mais constante do vídeo tem de se tornar regra.

 

3) Agilidade e adaptabilidade

Você deve estar cansado de ler ou ouvir que estamos no mundo VUCA (sigla em inglês para vulnerabilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), mas por mais que seja repetitivo e muitas vezes soe até como seguir a onda gringa, não deixa de ser verdade. A revolução que o mundo vive atualmente propiciada pelo conjunto de tecnologias que convencionou-se chamar de transformação digital provoca tudo o que está resumido na sigla. Isso posto, ter velocidade para agir, tomar decisões, movimentar-se, testar e sugerir mudanças é altamente valorizado nas companhias. Antes essa característica estava muito associada a startups, mas qualquer empresa que se preze e vislumbre um futuro quer profissionais com essa característica. E na mesma toada a adaptabilidade, que nada mais é que a capacidade de se adaptar a mudanças sem sofrer ou perder produtividade. Você vai sim mudar de função diversas vezes, sua empresa vai reconduzir a estratégia inúmeras vezes e produtos serão cancelados e lançados com maior frequência porque a concorrência vem de todos os lados.

 

4) Inteligência social

Embora o mundo caminha para uma automação cada vez maior e uso mais intenso dos ambientes virtuais, não podemos esquecer de que somos pessoas e pessoas pedem contato físico, olho no olho. E se a concorrência cresce e a tecnologia está cada vez mais disponível para todos, os diferenciais concorrenciais são mais estreitos, sendo que vantagem estará em detalhes, conveniências, processos, entre outros. Dado esse contexto, nossa quarta habilidade é a inteligência social, que nada tem a ver com Facebook, Instagram ou LinkedIn. Ela é a sociabilidade avançada, pois consiste na capacidade de se conectar com outras pessoas de forma mais intensa e profunda, estimulando reações e extraindo interações desejadas, itens fundamentais em processos de negociação e atendimento ao cliente.

 

5) Pensamento adaptativo

Essa habilidade pode te confundir com a adaptabilidade da terceira, mas é totalmente diferente. Lá abordamos sua capacidade de se adaptar a um novo ambiente ou novos ambientes em curto espaço de tempo, aqui é praticamente de pensar como um novelista. Ser criativo o suficiente para pensar, estruturar a ideia e vir com soluções e respostas que vão muito além das rotineiras ou que simplesmente seguem a cartilha. Imagine que você seja um autor de novela e o autor de um de seus principais personagens, muito popular entre a audiência, tenha um problema de saúde e precisa se afastar das gravações. O que você faria? Que solução adotaria? É isso que as empresas vão esperar de você.

 

 

6) Pensamento computacional

Num ambiente onde sensores estarão espalhados por todos os lados (e já estão em muitos) e onde se vê um aumento exponencial na capacidade de processamento de informações, o mundo se converte praticamente em um sistema operacional. Com isso, você precisa aprender a pensar de forma mais sistemática, desenvolvendo a habilidade de traduzir quantidades imensas de dados em conceitos abstratos, além de entender raciocínios baseados em dados. Um profissional de marketing, por exemplo, já vive isso na pele com toda a gestão de campanhas digitais ou mesmo um gestor de uma empresa cuja maior força esteja no campo digital, decisões são tomadas baseadas em análise de dados. Uma empresa de marketplace não muito grande chega a ter 25 cientistas de dados para captar, analisar e reportar informações diversas sobre seus produtos digitais para as equipes de marketing e desenvolvimento de produto. Toda a estratégia é baseada em dados.

Você precisa aprender a pensar de forma mais sistemática, desenvolvendo a habilidade de traduzir quantidades imensas de dados em conceitos abstratos

7) Competência multicultural

Essa não é nova, mas continua sendo altamente demandada. Das duas uma: ou os profissionais não deram muita bola quando esse tópico surgiu, ou a demanda aumentou muito pelas equipes multidisciplinares e globais trabalhando por sistemas de colaboração virtual, elevando ainda mais a necessidade de pessoas com essa habilidade. Mas só para reforçar, aqui falamos da capacidade de trabalhar e lidar com pessoas de diferentes culturas. Num país grande como o Brasil, vale lembrar que essa habilidade compreende não apenas outros países, como também outros Estados e regiões. Respeitar a diversidade cultural é fundamental e está comprovado que traz resultados para as empresas, principalmente em times que trabalham com criação.

 

8) Mentalidade de design

É engraçado pensar que todos devemos ter um pouquinho da capacidade de um designer. Mas é isso mesmo. E antes que você pense apenas na questão estética, já te adianto que o ponto não é esse. Um bom designer, além de levar beleza a um produto, ao desenvolver algo ele pensa muito na experiência de quem fará uso do produto, seja alguém interno ou um cliente externo. Ou seja, ele trabalha um processo que conduz a pessoa a um resultado. E é isso que as empresas esperam de você, que seja capaz de desenvolver tarefas e processos para que os resultados desejados sejam atingidos, sempre percorrendo o melhor caminho – que nem sempre é o mais curto/simples.

 

9) Gestão cognitiva

Com tanta informação, muitas vezes é difícil tomar alguma decisão. Isso não só no mundo corporativo como na vida pessoal. As opções são crescentes em todos os aspectos: quantas séries de TV você tem para escolher? Quantos e-commerces? Quantas universidades? A vida se tornou um processo de tomada de decisão. Isso levado ao mundo corporativo é mais complexo, porque, além das informações coletadas de forma tradicional, existe o emaranhado de dados que estão sendo coletados e precisam ser analisados, acrescido de diversos cenários que se constroem para que um caminho seja escolhido. Para fazer isso com maestria, você precisa ter a habilidade de classificar e filtrar informações por importância, além de entender como amplificar as funções cognitivas. Obviamente, você contará com ajuda de tecnologia para isso, mas, antes, será preciso treinar sua mente para ter um olhar mais estratégico e, também, conhecer melhor as ferramentas de análise cognitivas disponíveis no mercado.

 

10) Criação de conteúdo multiplataforma

Pode até parecer estranho a criação de conteúdo estar entre as habilidades que te garantirá um lugar no futuro, mas o déficit de pessoas que conseguem se comunicar com eficiência, seja verbalmente ou por meio da escrita, é grande. Esse número tende a crescer se não houver uma preocupação com o tema, sobretudo pelo intenso uso de diferentes canais de comunicação, onde o conteúdo é apresentado em diferentes formatos. Então, sim, produzir conteúdo é uma competência crítica, e é preciso criá-lo utilizando diferentes formatos de mídia e entregar, por meio dessa produção, uma comunicação efetiva e persuasiva. Um bom conteúdo gera venda, garante emprego, possibilita promoção, auxilia em processos de convencimento, entre outros.