7 tendências de marketing para ficar de olho em 2020

LGPD, Inteligência Artificial e propósito estão entre os fatores que irão impactar nas estratégias das empresas nesse ano, segundo especialistas

Françoise Terzian

20/01/2020

O ano de 2020 será de fortes e intensas mudanças no universo do marketing, o que vai chacoalhar as estruturas das empresas e a forma como elas conversam com o consumidor. Com isso, os profissionais – não só os que atuam nessa área – precisam estar atentos e atualizados com relação a essas transformações. A IT Trends conversou com especialistas do mercado e mapeou as sete principais tendências desse ano para ficar de olho. Confira:

 

 

1 – Hipersegmentar e personalizar

 

 

É fato que as empresas vão precisar se adaptar à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que entra em vigor neste ano. A transparência no uso dos dados se tornará uma fonte poderosa de diferenciação para as marcas. A hipersegmentação levará a uma personalização das ofertas ao cliente, já que passa a existir um entendimento maior sobre eles a partir da análise de seus dados.

 

 

” Vejo uma primeira tendência de hipersegmentação e personalização da mensagem que queremos passar ao cliente”, explica Thiago Costa, coordenador da pós-graduação de comunicação e marketing digital da Faap. A ideia é que as empresas cruzem os dados dos hábitos do consumidor em suas “andanças” online e offline, sem barreiras, com geolocalização e, a partir disso, façam uso inteligente desses dados. Assim, o cliente que está em determinado lugar pode receber uma oferta específica para ele, para aquele momento da vida, com seu estilo de consumo, naquele local.

 

 

2 – Humanização de Dados

 

 

Conjuntos de dados, algoritmos e a Inteligência Artificial estão se tornando cada vez mais ‘humanizados’, com emoção e personalidade, aponta a Isobar. Isso será possível através da aplicação de tecnologias que identifiquem aspectos emocionais e sensíveis em grandes volumes de dados, com a utilização de informações relativas a bem-estar, a combinação de Inteligência Artificial com análise humana, dentre outros recursos. Com isso, as marcas poderão atender de forma mais efetiva as expectativas emocionais dos consumidores, consolidar uma visão positiva do uso de dados e até cria uma nova área, a de Responsabilidade Social de Dados.

Com tecnologia, as marcas poderão atender de forma mais efetiva as expectativas emocionais dos consumidores e, assim, consolidar uma visão positiva do uso de dados

3 – Storytelling regionalizado

 

 

Avança a tendência de usar histórias para se aproximar dos clientes. E um dos pontos de partida será o próprio conteúdo gerado pelos clientes. As marcas já estão super atentas sobre o que falam delas no ambiente digital. Agora, os conteúdos tendem a ser cada dia mais regionalizados. Exemplo: uma marca vai ter vídeo e conteúdo focados na região onde o consumidor está, e não mais  nacionalmente, conta Costa, da Faap.

 

 

4 – Comércio Socializado

 

 

A tecnologia está colocando as pessoas no coração de como pesquisamos, compramos e compartilhamos. A Isobar diz que veremos então o crescimento do comércio peer-to-peer, da venda direta ao consumidor, das áreas de compras em redes sociais e até da integração da tecnologia blockchain em processos fabris e produtos de massa. Desta forma, será fundamental que as marcas garantam que seus espaços nos shoppings em redes sociais sejam transacionais, além de reimaginar a experiência em seus websites e enxergar os consumidores como verdadeiros consultores de venda no peer-to-peer.

 

 

“As empresas devem garantir que seus perfis nas redes sociais tenham um frontline que favoreça a realização de transações. É o caso, por exemplo, de colocar de forma bem visível, ainda que orgânica, galerias de produtos para compras e links diretos para transação em notícias e outros conteúdos, incluindo vídeos. Com isso, um suporte online robusto e o download super-rápido de landing pages e aplicativos se tornam ainda mais importantes”, explica Eric Scapim, diretor de tecnologia da Isobar.

 

A Isobar diz que veremos então o crescimento do comércio peer-to-peer, da venda direta ao consumidor, das áreas de compras em redes sociais e até da integração da tecnologia blockchain em processos fabris e produtos de massa

5 – Ativação pós-propósito

 

 

Ou como a tecnologia está ajudando as marcas a redescobrir e ativar seu propósito de impacto. Algumas iniciativas em alta são o surgimento de marcas cívicas (engajadas em causas sociais), busca por maior inclusão e uso da tecnologia para causas positivas. Para se inserir neste contexto, as marcas devem internalizar o conceito de humanidade aumentada, realizar ativações em torno de seu propósito e ter a habilidade de agir por meio de parcerias.

 

 

“As marcas devem investir em segmentações com bases mais profundas e significativas. Ou seja, segmentar apenas por idade, sexo, renda e até grupo de interesse não é mais suficiente. É necessário ir mais fundo, chegando a causas específicas. Além das ferramentas de segmentação já existentes, a Inteligência Artificial pode ajudar muito a identificar novos movimentos e demandas. Esse mesmo raciocínio vale para os canais onde estes públicos específicos debatem”, observa Scapim, da Isobar. As marcas devem considerar buscar fóruns mais fechados, pequenos grupos ou micro-influenciadores. Além disso, em vez de tentar interações cada vez mais frequentes, pode haver uma oportunidade de buscar menos pontos de contatos, mas com mais significado e eficiência.

 

 

 

6 – e-Sports

 

 

Uma tendência que já é uma realidade e deve se consolidar em 2020 são os e-Sports. “É incrível o crescimento dos adeptos e a relevância que o gênero vem ganhando”, conta Adriano Alarcon, CCO (Chief Creative Officer) da F.biz. Há poucos anos, recorda, era impensável assistir à uma final do campeonato da Fifa ou League of Legends na televisão, por exemplo. Outro ponto interessante a se observar neste ano é a “guerra” do entretenimento. Com o crescimento de plataformas de streaming de grandes players, como a Disney+, Apple TV+, HBO Go, Prime Video, Hulu, Globosat Play e outros, a Netflix deve mover grandes esforços para manter sua hegemonia.

 

No caso dos e-Sports, já é perceptível a presença de marcas esportivas e de empresas desenvolvedoras de jogos como anunciantes. Mas isso tende a se espalhar para outros setores, seja nos eventos e feiras, nos formatos tradicionais ou em In Game Advertising. Já na guerra dos serviços de streaming, a criação de novos conteúdos é um terreno extremamente fértil para as marcas, desde um simples patrocínio ou product placement, até uma coprodução.

 

 

7 – Mídia em Games Mobile

 

 

Mídia dentro de games mobile é uma forte tendência para 2020. “Temos hoje 100 milhões de brasileiros jogando games no celular todos os meses. São pessoas de todas as idades. Desde os adolescentes jogando games de tiro, como Call of Duty e Fortnite, até as mulheres acima de 50 anos jogando Candy Crush e Wordscapes”, diz Marcelo Castelo, CEO da MUV. Só para se ter uma ideia, as mulheres acima de 55 anos estão ficando, em média, 2 mil minutos por mês jogando games no celular, o que dá mais de 1 hora em média por dia.

 

O ponto importante é que a grande maioria é gratuito para o usuário. Para poder jogar, basta estar disposto a assistir anúncios dentro dos games. “Estamos falando de um canal de mídia com grande escala, bastante engajamento e possibilidade de segmentação. Grandes anunciantes estão começando a acordar para o uso desse canal e vamos ver um boom neste ano.”