A era digital pede profissionais com pensamento crítico

Saiba mais sobre a habilidade necessária para qualquer time de sucesso

Françoise Terzian

26/02/2020

Não basta mais apresentar diploma da melhor universidade, MBA e um currículo louvável. Na Era Digital, em que processos e estratégias avançam como uma locomotiva, o profissional precisa dominar o chamado “pensamento crítico”, uma das principais habilidades a serem desenvolvidas pelos profissionais, segundo o World Economic Forum. E não por acaso é por um acaso que essa habilidade é apontada como uma das principais tendências para o desenvolvimento de carreira.

 

Diante do cenário atual, habilidades humanas como originalidade, iniciativa e pensamento crítico são as mais requeridas, segundo o Fórum Econômico Mundial. “Fortalecer uma soft skill é ​​um dos melhores investimentos que você pode fazer em sua carreira”, escreveu Paul Petrone, editor de aprendizagem do LinkedIn.

Esse olhar humano acompanhado da migração de ambientes homogêneos para heterogêneos é altamente enriquecedor, aponta Tiago Rodrigo dos Santos, professor da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) nas áreas de inovação, projetos e pessoas. E, por isso, as empresas têm levado cada vez mais pessoas de diferentes regiões e áreas a trabalharem em um mesmo projeto. Diante dos problemas, as resoluções têm apresentado resultados inusitadamente positivos na visão do educador.

 

Isso acontece porque é justamente nesses momento que se faz mais necessário o tal do pensamento crítico. “É uma competência cognitiva. Conjunto de habilidades, do conhecimento que se adquire e da atitude que se toma. A gente usa critérios para tomar decisões. Alguns são lógicos e outros empíricos. Buscar conhecer a verdade te faz olhar para dentro de si e procurar respostas para as mais diferentes perguntas. E isso te tira da sua zona de conforto”, explica João Palmeira da Silva Júnior, consultor sênior e membro do conselho de administração da Franklin Covey.

 

Open mind

Quem tem pensamento crítico é um indivíduo questionador. “Nossa primeira ação diante de um desafio é supor as coisas com base no nosso histórico. O pensamento crítico tem a ver com fazer essas perguntas, mas antes é preciso ter uma postura de observação e reflexão numa tentativa de explorar várias possibilidades dentro do mesmo tema”, explica.

 

Ter pensamento crítico, explica o professor da Faap, não significa ser uma pessoa crítica que reclama de tudo e só aponta problemas. O intuito é desenvolver a mentalidade do crescimento, com a mente aberta a mudanças, incentivando o pensamento crítico.

 

Hoje uma pequena startup pode utilizar a transformação digital a seu favor e expandir seu mercado para a maior parte do globo, mesmo estando longe de uma capital ou mesmo de um porto. “É nesse contexto que vivemos, um contexto em que profissionais que possuam conhecimento técnico e pensamento crítico são cada vez mais valorizados e disputados”, afirma Paulo Lira, coordenador e supervisor acadêmico do HSM University.

 

Como qualquer habilidade, o pensar criticamente requer treino. E nesse sentido o assunto é pauta do dia para qualquer RH que tenha função estratégica dentro das corporações. “Se antes o RH estava ligado a funções mais operacionais, nesse novo contexto de uma economia em constante transformação digital, de reestruturação dos valores entregues aos clientes e foco na entrega cada vez mais exclusiva, as pessoas dão a tônica da vantagem competitiva. Criatividade e conhecimento técnico são essenciais”, avisa Lira.

 

Caminho das pedras

Desenvolver o pensamento crítico enquanto cultura organizacional depende de um roadmap claro. Se por um lado o pensamento crítico é uma habilidade e, portanto, possível de ser desenvolvido; por outro, não é algo que se consiga em período exíguo. “Nesse sentido, é necessário mesmo um projeto, uma política que sustente tal desenvolvimento como um valor da companhia”, explica Lira.

 

O mindset tem que mudar. Não em ordem de hierarquia, mas de forma sinérgica. Um sugestão é pensarmos no desenvolvimento de uma mentalidade voltada para a resolução de problemas e o desenvolvimento de habilidades relacionadas à negociação em ambientes complexos. Ou seja, que envolvem múltiplos stakeholders e a comunicação como estratégia.

 

Como conselho para os profissionais incrementarem o chamado Pensamento Crítico, Lira sugere que se busque referências. “Nós precisamos olhar para o mundo à nossa volta de forma irreverente. Buscar entender interesses e estratégias nesse jogo complexo do mundo dos negócios é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico.”

 

As referências diante de situações, conjunturas e contextos são ferramentas essenciais para uma mentalidade ligada à resolução de problemas, criação de produtos, estratégias e do próprio desenrolar das negociações necessárias para que se cumpra um projeto/ objetivo.

 

Treinamento crítico

Por isso, invista em cursos, filmes, livros e podcasts. Melhor ainda se estiverem relacionados ao tema. “A importância está na bagagem e na continuidade do treino em busca de aprimoramento da habilidade de pensamento crítico”, explica o coordenador e supervisor acadêmico do HSM University.

 

A maneira de pensar criticamente precisa ser exercitada, como explica Silva Júnior. Nesse caso vale apostar em jogos de xadrez, palavras cruzadas, dentre outras maneiras de pensar de forma mais aprofundada e analítica. “O grande desafio é que habitualmente tomamos decisões baseados em nossas preferências, expectativas, valores e crenças. Um gestor, por exemplo, precisa ter mente aberta e avaliar uma situação sob diferentes pontos de vista”, afirma Silva Júnior.

 

Desenvolva a autocrítica – peça opinião a terceiros e escute críticas construtivas -, aprenda a debater temas polêmicos de maneira respeitosa, procurando ouvir e também falar

 

Seus conselhos são: desenvolva a autocrítica – peça opinião a terceiros e escute críticas construtivas -, aprenda a debater temas polêmicos de maneira respeitosa, procurando ouvir e também falar. E, por último, questione sempre, busque pelo novo. “O profissional precisa ser altamente pró-ativo e não esperar o RH para se desenvolver.”