Sabia que sua profissão pode estar condenada ao sumiço?

Inovações vão eliminar 75 milhões de cargos. A sua carreira pode ser uma delas
18/03/2019

Hoje, para ser selecionado a uma vaga de emprego é preciso enfrentar dezenas, centenas ou até milhares de candidatos. E os processos de seleção vão ser ainda mais difíceis daqui para frente. O motivo? A evolução da tecnologia e a possibilidade de substituir funções e “roubar” os postos de trabalho destinados a nós, humanos. Por meio de Inteligência Artificial e Machine Learning, as máquinas conseguem trabalhar por conta própria, aprendendo com seus erros e acertos — exatamente como uma pessoa. Na verdade, em algumas funções, até melhor que uma pessoa.  

 

Com isso, o mercado de trabalho está mudando, e você também deveria: é preciso mudar ou correr o risco de se tornar obsoleto. As competências necessárias para atuar são diferentes das que a maioria da força de trabalho possui hoje, exigindo que a sociedade se adapte ao novo cenário.  

 

Segundo o relatório “O Futuro do Trabalho” produzido pelo World Economic Forum, até 2022, 54% de todos os empregados deverão atualizar ou melhorar suas habilidades para se manterem no mercado. Entre eles, cerca de 35% precisam de um treinamento adicional com duração de até seis meses; 9% necessitarão de requalificação com duração de seis meses a um ano, enquanto 10% necessitarão um upgrade em suas competências de mais de 12 meses. Mas quais as habilidades serão exigidas dos profissionais do futuro? 

 

As competências que mais crescerão até 2022, de acordo com estudo do World Economic Forum, são:  

 

  • Pensamento analítico e inovativo
  • Aprendizado ativo e estratégias de aprendizagem
  • Criatividade, originalidade e proatividade
  • Tecnologia, design e programação
  • Pensamento crítico e analítico
  • Resolução de problemas complexos
  • Liderança e influência social
  • Inteligência emocional
  • Racionalidade e resolução de problemas
  • Análise e avaliação de sistemas

  

 As competências citadas acima mostram que daqui para frente o trabalho será mais colaborativo do que nunca, não apenas entre profissionais, mas também com robôs. Vai ser comum atuar ao lado de uma máquina que aumente o seu desempenho em uma determinada função. E, com a ajuda das máquinas, para fazer mais rápido e melhor o trabalho, será preciso focar naquelas habilidades que os seres humanos dominam melhor: a criatividade, a inteligência emocional e a influência social.  

 

Por isso, ao contrário do que se pode pensar, os empregos ligados à área de humanas ganham destaque, já que serão mais difíceis de serem substituídos pela automação e pelos robôs. É o que afirma o renomado escritor israelense Yuval Harari, autor dos best-sellers Sapiens e Homo Deus. Cada colaborador também terá mais autonomia para tomar decisões importantes na empresa, por isso a liderança e empreendedorismo são competências essenciais para qualquer profissional.  

 

Diversas carreiras vão sumir: a sua está entre elas? 

  

O estudo do World Economic Forum aponta que as novas tecnologias vão eliminar 75 milhões de cargos que se tornarem obsoletos ou puderem ser automatizados. Nos setores pesquisados, os empregos que são mais suscetíveis aos avanços das novas tecnologias são aqueles mecânicos mais operacionais como, por exemplo, os caixas bancários. Alguns elementos vêm impulsionando essa tendência ao longo dos últimos anos, como os serviços bancários acessados por aplicativos, os caixas eletrônicos e as máquinas de autoatendimento. 

 

Por outro lado, as funções que mais crescerão até 2022 são aquelas ligadas à inovação tecnológica e às habilidades humanas: cientistas e analistas de dados, especialistas em Big Data e Blockchain, desenvolvedores de softwares e aplicativos, profissionais de vendas e marketing, especialistas em desenvolvimento organizacional. Confira a lista completa: 

 

 

 

Ao avaliar a lista, é possível perceber que as inovações chegam para liberar os colaboradores de grande parte das funções mais operacionais, que estão em declínio. Ao automatizar e digitalizar tudo o que for possível dentro das empresas, as novas tecnologias impulsionam a competitividade, a conectividade entre as áreas, a eficiência nos processos e a produtividade do negócio como um todo.  

 

Porém, antes que todas essas profissões realmente deixem de existir no Brasil, ainda há barreiras para o investimento em novas tecnologias disruptivas. Segundo a pesquisa “Antes da TI, a Estratégia” de 2018, respondida por CIOs das maiores empresas do país, um dos entraves pode ser a falta de conhecimento aprofundado sobre essas tecnologias. É o que podemos extrair do gráfico a seguir. 

  

 

 

  

 

O conhecimento sobre as novas tecnologias impacta não somente nas companhias, mas também a carreira dos colaboradores. Segundo a pesquisa, 33,8% dos CIOs entrevistados reconhecem que precisam dominar as novas tecnologias para conseguir conquistar uma posição nova dentro da empresa ou no mercado.  

  

 

 

    

A necessidade de se atualizar é real e imediata. Os profissionais hoje, possuem a árdua tarefa de ter de aprender, desaprender e reaprender em um processo incessante. Sem um mindset adaptável, você pode estar fora do jogo. E o desafio toma grandes proporções quando analisamos o mercado de trabalho brasileiro. 

 

O Brasil possui 170 milhões de pessoas com idade para trabalhar. Destes, apenas 86 milhões estão ocupados trabalhando 44 horas semanais. Mais de 27 milhões de brasileiros estão em busca de um emprego. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do 3º trimestre de 2018, reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como um dos instrumentos de monitoramento de mercado de trabalho mais alinhados às suas recomendações. Se este cenário deixou você preocupado, calma que pode piorar. 

 

O fato é que a falta de treinamento e habilidades da força de trabalho pode acelerar ainda mais o processo de automatização de muitas atividades. Traduzindo para o bom português, isso significa possibilidade de ainda mais desemprego. E sem talentos preparados para as novas funções que vão surgir, existe o risco real do crescimento dos negócios ser impactado. 

 

Yuval Harari alertou sobre o aparecimento de uma “classe de pessoas inúteis” até 2050 em uma publicação no jornal britânico The Guardian de maio de 2017. Segundo o autor, o verdadeiro perigo não está na perda do emprego, mas sim no enorme obstáculo de treinar os indivíduos e fazer com que elas se reinventem para suas próximas funções. 

 

Harari ainda afirma que a saída para o futuro está nas mãos das próprias pessoas, que precisam se esforçar para aperfeiçoar suas habilidades e estar preparadas para assumir novas funções. O governo, por sua vez, tem o papel de oferecer à população um sistema de ensino sólido para toda a vida. As empresas devem investir mais em seu capital humano. A sociedade tem que discutir novas soluções para o mercado de trabalho digital. E qual é o seu papel neste cenário? 

 

A força de trabalho não pode mais esperar que as companhias ofereçam cursos e treinamentos. Essa atitude que já não condiz mais com o mercado atual. Por isso a liderança, a proatividade e o espírito empreendedor são habilidades essenciais aos funcionários do futuro. Se faz necessário agir com protagonismo sobre sua própria carreira, assumindo a responsabilidade sobre sua atualização profissional ao longo da vida. Mais do que nunca os profissionais são empoderados a fazer suas próprias escolhas e realizar grandes mudanças. 

 

Sendo a transformação a única coisa constante na era da automação, os colaboradores precisam ter uma mentalidade de aprendizagem ágil que consiga acompanhar todas as mudanças e aproveitar as novas oportunidades criadas pela Indústria 4.0. A criatividade e o pensamento analítico serão as armas para repensar a forma como trabalhamos, como rentabilizamos e como interagimos com outros seres humanos e também com máquinas.