Empreg(h)abilidade

Aprender código deveria ser como ensino de línguas

Como escolas tardam em incluir esse tipo de aprendizagem. É preciso se apressar para não ficar de fora da revolução digital

Aprender código deveria ser como ensino de línguas

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Vitor Cavalcanti

Se por um lado a demanda por programadores é gigantesca e faltam profissionais capacitados para posições de diversos níveis, escolas ainda falham em não incluir codificação entre as disciplinas básicas desde o ensino infantil. Pelo menos é o que defendem especialistas que discutiram dentro do Web Summit a educação muito além da sala de aula. Os mesmos profissionais também ressaltaram a necessidade de buscar por conhecimento constantemente, de outra maneira, a obsolescência profissional te atingirá.

 

Mas falando especificamente de codificação, como lembrou Corinne Vigreux (foto abaixo), fundadora da Tom Tom e da Codam, atualmente tudo está relacionado com tecnologia, o mundo está em plena transformação e a regra está dada. Assim, raciocina: “temos que encontrar uma forma para que as crianças de hoje estudem para as profissões do amanhã. Se você não tiver literatura digital, no futuro, nem fazer pedido em restaurante conseguirá”.

 

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Na mesma linha de raciocínio, Mmantsetsa Marope, diretora do Bureau Internacional de Educação da Unesco, insistiu que codificação precisa ser inserida no currículo escolar desde muito cedo. “Tem de fazer assim como fazemos com leitura e escrita. Até porque, aprender a programar é como falar outro idioma, neste caso o digital. Sem literatura digital, sem programação, não prepararemos crianças e jovens para um novo mundo.”

 

Marope, contudo, frisou que as escolas, nessa linha de preparar para a vida, precisam incluir outras habilidades no currículo, como finanças. Ela também trouxe para a mesa de discussão que, embora vivamos num mundo em transformação e altamente voltado à tecnologia, não podemos abrir mão de investir em soft skills que, num mundo digital, ganham uma importância ainda maior.

 

Embora muito do debate tenha ficado no plano da criança e do jovem, as especialistas falaram um pouco do desafio atual e da necessidade de buscar conhecimento de forma constante. No caso, o conhecimento em tecnologia, onde está o maior gap. Uma das bandeiras é a de que mesmo que você não queira ser um desenvolvedor ou ter qualquer outra carreira em tecnologia, é importante saber manusear bem e entender um pouco de codificação para transitar nessa nova sociedade. Por isso, o conceito de lifelong learning tem sido tão utilizado por estudiosos de educação mundo afora, além da ampla defesa da microformação, especialmente num momento de escassez profissional.

 

Essa mesma escassez tem desafiado sistemas educacionais tradicionais que se viram no meio de uma tempestade num momento em que educação é tão crucial, mas o modelo é altamente questionável. Startups em diversas frentes têm trazido ao mercado metodologias que permitem formar programadores num curto espaço de tempo, mas de forma que essa pessoa possa atuar profissionalmente na sequência. Esses mesmos formatos têm sido estudados e aplicados em outras habilidades, forçando ainda mais a discussão sobre o real papel da academia e questionando a efetividade de cursos de tecnologia de dois ou três anos de duração.

 

Se por um lado, como afirma Corinne, a escola precisa ser mais inclusiva e estar pronta para desmistificar o universo da tecnologia, ou, como conceitua Marope, o fato de tratar código como se trata o ensino da escrita e leitura, por outro, é preciso disseminar a ideia de que todos precisam estudar algo de tecnologia hoje, para suprir necessidades básica do presente, enquanto crianças e jovens são preparados para o que deve chegar num futuro breve.