As lições da transformação digital no agronegócio

Apesar da barreira cultural ainda existente, digitalização do setor é prioridade na estratégia da Bayer

Carolina Pereira

04/06/2020

A ciência de dados e a inovação digital são elementos importantes no segmento de agronegócios pois permitem melhorar, de maneira sustentável, a eficiência das operações e, ao mesmo tempo, capacitar os agricultores a tomar melhores decisões. Ferramentas inteligentes como essas têm permitido a criação e implementação de soluções personalizadas, de acordo com as necessidades de cada agricultor.

 

Com a tecnologia disponível seria simples colocar tudo em prática, não fosse a grande barreira cultural que ainda existe neste setor — e que é o principal desafio da transformação digital no agronegócios. As palavras são do head da divisão Crop Science da Bayer no Brasil, Gerhard Bohne. Em entrevista à IT Trends, o executivo afirma sofrer resistência não só do setor de agronegócio, mas também dentro da própria companhia quando o assunto é a mudança trazida pelo digital.

 

 

“A digitalização na agricultura ainda não chegou, ou está em 1%, 2%”, resume o executivo. A barreira cultural, no entanto, não tem impedido que a companhia traga ao mercado uma série de recentes lançamentos voltados para a transformação digital do setor. “Um dos nossos pilares é inovação, o nosso negócio é trazer tecnologias novas para o mercado”, afirma Bohne, que acredita que a tecnologia tem sido responsável pelo incremento de produtividade que o setor tem visto nos últimos anos.

 

Um bom exemplo do foco da Bayer em tecnologia e digital é a Climate FieldView, uma plataforma agrícola que coleta e processa dados de campo de maneira simples e contínua, gerando mapas e relatórios em tempo real – todos acessíveis em dispositivos móveis, tablets ou computadores.

 

Lançada no Brasil em 2017, a plataforma, que já tem mais de 3 mil clientes, integra informações de solo, plantio, monitoramento, pulverização e colheita em um único local, e permite que o produtor gerencie suas operações com mais eficiência, maximizando seu potencial de produtividade.

 

“O grande salto, agora, da produtividade vai vir da digitalização”, garante Bohne.  Ele menciona que o investimento que precisa ser feito para utilização de ferramentas como o Climate FieldView não é alto em termos de software ou hardware, e sim na capacitação e treinamento para que as ferramentas sejam usadas de maneira eficiente. E, nesse ponto, ainda há entraves para a aceitação do agricultor, e ainda é preciso trabalhar nessa mudança de mindset.

 

Relacionamento digital

 

Outros exemplos de lançamentos nesse sentido não faltam. Para mudar a experiência de consumo do agricultor brasileiro, em 2019 empresa também lançou o Impulso Bayer – programa de relacionamento com o produtor –, e a Orbia, a plataforma que surgiu de uma joint venture com a Bravium, que   combina marketplace de fidelidade, insumos e, em breve, commodities.

 

Os clientes são classificados de uma a cinco estrelas, de acordo com o nível de relacionamento que ele mantém com a Bayer, como quantidade e frequência de produtos comprados. Conforme a classificação obtida, o agricultor tem acesso a experiências, como trilhas de conteúdo produzidas em conjunto com a HSM e até eventos e viagens nacionais e internacionais. Tudo para estimular o relacionamento digital.

 

E o distanciamento social imposto pela recente pandemia do novo coronavírus acabou estimulando o acesso à plataforma de relacionamento digital, que registrou crescimento de 25% no tráfego do site e de 20% no número de usuários cadastrados

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Mais iniciativas no agronegócio

E outras iniciativas digitais também levam em conta a recente pandemia do novo coronavírus. O “Desafio Covid-19: soluções digitais para o agronegócio” é uma iniciativa da Bayer, em parceria com a Orbia, o AgTech Garage e o Sicredi, que reuniu startups que oferecem soluções focadas em empoderar o produtor rural. O objetivo do projeto é contribuir para a produção e distribuição de alimentos para a população, assegurando o abastecimento e o fortalecimento da economia durante a fase mais crítica da pandemia da Covid-19.

 

A iniciativa tem como foco disponibilizar para o agricultor ferramentas de alto impacto digital, com rápida adoção e implementação e em condições facilitadas de aquisição. As soluções devem ter foco em áreas prioritárias como: logística, atendimento remoto, comercialização da produção, acesso a insumos e crédito de maneira digital.

 

As 20 startups já foram selecionadas pelo comitê de avaliação composto por representantes das empresas envolvidas na campanha. Uma delas é a Grão Direto, que faz a comercialização de grãos online.

 

Confira no vídeo a análise de Gerhard Bohne sobre a transformação digital no setor de agronegócios: