Automação é questão de sobrevivência e inovação

Processo é visto como principal iniciativa da TI para a retomada dos negócios

Tiago Alcantara

03/07/2020

Ao ouvir a palavra “automação” a primeira reação deve ser algo como uma linha de montagem do setor automotivo. No entanto, as companhias já descobriram que a automatização vai muito além do uso de robôs. A pandemia do novo coronavírus colocou em questão a necessidade de manter os negócios rodando com times reduzidos ou remotos.

 

Nesse cenário, a robotização de processos é citada por mais da metade (50,4%) dos líderes de TI como uma tendência que ganhou relevância após a chegada da pandemia. Saiba mais sobre o levantamento, que entrevistou 131 CIOs de todos os segmentos, dentre as mil maiores companhias do mercado nacional.

 

Ainda nesse levantamento, quase 90% dos entrevistados disse que ter conquistado verbas emergenciais para investimento em TI com a justificativa de garantir a continuidade dos negócios. A automação de processos lidera as iniciativas de retomada dos negócios. Além de sobrevivência, muitas empresas olham para a robotização como uma vantagem competitiva para o cenário futuro.

 

 

Um exemplo trazido pelo vice-presidente de Corporate IT da ACI Worldwide, Mitesh Mehta, foi a automação de um processo simples: a automatização de tickets para colaboradores em regime remoto utilizarem aplicações em aparelhos móveis. A mudança garantiu mais agilidade para o processamento e aprovação dos pedidos – poupando tempo e estresse de colaboradores lidando com as mudanças e incertezas trazidas pela pandemia.

 

Outro dos pontos que foi automatizado na companhia de pagamento, que os pagamentos eletrônicos de mais de 6.000 organizações ao redor do mundo, foi justamente a digitalização de finanças e contabilidade. “Estamos explorando oportunidades para automatizar alguns pagamentos para reduzir o esforço manual e os erros [humanos] decorrentes. Por fim, estamos começando a digitalizar e padronizar nosso processo de precificação, cotação e contratação, para que a eficiência da automação possa ser aplicada em áreas voltadas para o cliente”, explica Mehta.

 

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O cenário apresentado pela companhia de pagamento ressalta as tendências apontadas em outro estudo prévio da IT Mídia. Na pesquisa Antes da TI, a estratégia mais de 78% dos respondentes apontavam que a automação de processos receberia investimentos em 2020. A tecnologia lidera o ranking de investimentos planejados e, por conta da crise, deve se manter como grande destaque para 2021.

 

Antes da TI, a Estratégia: 78% dos CIOs apontam que a automação de processos deve receber investimentos em 2020

 

Automatização em dois atos

 

O CIO do Grupo Queiroz Galvão, Marcello Borges, explica que o grupo realizou dois tipos de automação: a primeira foi dos processos administrativos (contratação, compras, dentre outros) e, na sequência, o uso de automação na ponta, com equipamentos no campo em construção pesada rodando de forma robotizada, por exemplo.

 

O líder de tecnologia do grupo explica que o time de TI precisou se questionar sobre quais tecnologias usar. E, ainda, que considera o programa todo como uma jornada na qual tem o desafio de atender aos vários negócios do grupo, que vão dos setores de construção ao naval, passando por engenharia ambiental e desenvolvimento imobiliário.

 

“Que tecnologias vão realmente trazer valor agregado? [No caso da automação administrativa] três tecnologias foram bem aderentes: a primeira foi uma camada de workflow acima do ERP, a segunda tecnologia que é RPA, que é o que muita gente agora está contratando e a gente viu que unificando RPA e essa camada de workflow a gente ganha muito em processo e qualidade; e a terceira tecnologia que brida todo esse fluxo é a inteligência artificial para que a gente tome decisões melhores”, conta Borges.

 

Mudança estrutural

 

Como nota o executivo do Grupo Queiroz Galvão, é preciso observar as possíveis lacunas e basear a automação em um processo maior, estrutural. “A primeira coisa que a gente fez foi rever processos. Não foi só uma transformação digital, a gente viu que precisava antes de repensar o negócio. E eu diria que esse é o primeiro acerto, ver como otimizar esse processo e não simplesmente transpor o que estava no manual para o digital”, conta Borges.

 

Não apenas nos processos de automação ou nas indicações de eficiência, a realidade é que o papel dos CIO em uma organização mudou. Não é de hoje que o principal líder de TI é visto como um parceiro estratégico. Um levantamento da Deloitte, realizado em parceria com o The Wall Street Journal Intelligence, revela que o diretor de tecnologia é considerado como o principal parceiro do CEO na atualidade. “Quase todos os CEOs entrevistados (93%) afirmam que a tecnologia é importante para direcionar inovação em produtos em serviços”, indica o estudo.

 

Com tanta relevância, não é mais possível que esse tipo de profissional fique apenas “tomando conta do datacenter”. “O CIO que não se envolve na realidade com o negócio, se ele não morreu para muitas empresas, ele vai morrer”, decreta Borges.  “Você precisa respirar o negócio e, aí sim, você vai pensar em como a tecnologia ou qual tecnologia você vai usar para chegar nos objetivos. O CIO tem que andar muito alinhado com o planejamento estratégico para conseguir agregar valores, seja em redução de curso, seja em eficiência”, acrescenta o CIO do Grupo Queiroz Galvão.

 

“O CIO tem que andar muito alinhado com o planejamento estratégico para conseguir agregar valores”

Marcello Borges, Grupo Queiroz Galvão

 

Confira os principais trechos da entrevista com Marcello Borges, do Grupo Queiroz Galvão.

 

 

No caso da pandemia, Mehta comenta que a situação provou que a resiliência e a habilidade de escalar a infraestrutura de TI são essenciais para qualquer companhia lidar com momentos de crise. E a automatização é parte desse processo. “O papel da TI se fortaleceu em duas frentes. A primeira é a resposta tática de emergências como a Covid-19. A segunda é permitir que uma empresa seja ágil estrategicamente também”, comenta o VP da ACI Worldwide.