Como ficam os projetos de adequação à LGPD em meio à pandemia?

No início do ano, quase metade dos CIOs acreditava que a Lei seria um tema de grande impacto nos negócios nos próximos dois anos

Carolina Pereira

07/05/2020

No início do ano, quando CIOs responderam a pesquisa da IT Mídia Antes da TI, a Estratégia, quase metade deles (46,3%) acreditava que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) seria um tema de grande impacto nos negócios nos próximos dois anos. Além disso, cerca de já tinham projetos em andamento sobre o tema. E não era para menos. A previsão, na época, era que a Lei entrasse em vigor em agosto desse ano, algo que acabou mudando por conta da pandemia do novo coronavírus.

 

No final de abril, uma Medida Provisória permitiu que as empresas só se enquadrem as novas normas de uso e armazenamento de dados digitais apenas a partir de 3 de maio de 2021. Isso não quer dizer que os planos e projetos que estavam em andamento devam ser adiados, na opinião de Patricia Peck, head de direito digital do escritório Pires & Gonçalves Advogados Associados. “Muitos de nossos clientes no escritório estão dando andamento normal ao projeto por entenderem que, como já havia um cronograma, com alocação de pessoas e recursos, se paralisa [o projeto] agora,  tem uma perda do trabalho já feito”, explica.

Cristiano Barbieri, head de transformação digital e tecnologia da SulAmérica Seguros, confirma a visão de Patricia Peck. “A área de saúde está se tornando cada vez mais digital. A gente está fazendo um projeto de LGPD muito grande na companhia, e continuamos acelerados para estarmos aptos a partir de agosto”, afirma. Barbieri participou do IT ForON Breakouts, encontro virtual que discutiu o espaço da LGPD e segurança de dados na agenda dos CIOs ainda em 2020.

 

Por outro lado, Jorge Cordenonsi, CIO Brasil e Latam da GRSA Compass, afirma que a preocupação, no momento,  está em torno de cibersegurança, já que as ameaças tem se intensificado nesse período, e a empresa optou por adaptar o calendário para a adequação à LGPD. “Agora, em função do Covid-19, nós tomamos a decisão de rever o nosso cronograma, adequar um pouco mais para a frente. A nossa preocupação e a nossa prioridade virou para cibersecurity”, explica.

 

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Mesmo com a necessidade em reforçar a cibersegurança e todos os desafios que a pandemia tem imposto às empresas em termos de TI, a recomendação de Patricia Peck é de dar continuidade aos projetos ligados à adequação à LGPD. “Depois que voltarmos do isolamento social, vão ter outras prioridades. Muitos dos negócios vão precisar acelerar para poder correr atrás desse período em que não faturou tanto. O ano vai ser muito corrido no segundo semestre”, alerta.

 

Além disso, segundo a especialista, a instituição de home office, em razão do isolamento social, acabou até acelerando algumas políticas de privacidade de dados em algumas empresas. Confira o vídeo com a análise de Patrícia Peck sobre a implementação da LGPD nas empresas: