Covid-19: liderança de TI tem o desafio de conciliar resultados e empatia

Gerir times à distância e entregar resultados em meio ao clima de incerteza são algumas das dificuldades

Tiago Alcantara

27/04/2020

Se algum executivo de liderança for capaz de fazer uma previsão exata de como seus negócios estarão quando o ano 2020 terminar, é bem provável que essa pessoa seja um viajante no tempo. Afinal de contas, algumas das mentes mais brilhantes da atualidade assumem que não é possível descrever com exatidão as implicações da crise atual. Quando falamos de um setor tão vital e ao mesmo tempo sob tanto estresse quanto o de TI, a história se torna ainda mais complicada.

 

É um momento bastante delicado para gestores e colaboradores, mas que pode ser contornado e trazer uma situação melhor no mundo pós-pandemia. Uma dica que vem direto de salas de crise que estão desempenhando um papel fundamental para evitar danos ainda maiores: o principal ponto da gestão dos esquadrões à distância é estabelecer relações de confiança.

 

 

Para o CEO da Great Place to Work Brasil, Ruy Shiozawa, é essencial que os líderes nesse momento deixem claros seus objetivos: em primeiro lugar, garantir a saúde das pessoas e – ao mesmo tempo – cuidar também dos negócios.

 

“O modelo de liderança que dá certo, na minha visão, é aquele que inspira as pessoas em torno de um propósito comum”, comenta Shiozawa, que complementa dizendo que é necessário criar um ambiente de transparência e respeito para gerar um plano de ação comum.

 

Reuniões e líderes mais “pessoais”

 

A campainha toca, a máquina de lavar faz barulho, o gato resolve subir no notebook bem na hora que você inicia uma chamada de vídeo. Todas essas mazelas do trabalho em esquema remoto são sentidas por boa parte dos times e lideranças de TI que estão atuando de forma distribuída.

 

Como bem lembrado pelo sociólogo Domenico Di Masi em entrevista recente no IT ForOn Series, não é de hoje que se fala das vantagens desse tipo de atividade que é realizada fora dos escritórios com mais autonomia e liberdade.  No entanto, o que está em jogo aqui é bem mais determinante e pode relevar todas essas situações.

 

liderança durante a crise

 

Em linha com os comentários do CEO da Great Place to Work Brasil estão as indicações dadas por Norberto Tomasini, sócio da PwC Brasil.

 

“Um tempero que vem é que você precisa deixar um tempo nessas reuniões para algumas coisas pessoais”, explica Tomasini. O consultor sugere que os gestores planejem cada reunião, indo além de simplesmente transportar o ambiente de trabalho pré-pandemia para um mundo virtual. Só assim, será possível criar o ambiente de confiança, no qual todos se sintam ouvidos. “Se você não tomar esses cuidados, acaba gerando um caos dentro da discussão”.

 

O sócio da PwC Brasil ressalta que os líderes de equipes devem fazer uso de reuniões diárias para conversar com as pessoas, saber em que ponto estão cada um dos projetos e deixar claro para o time qual a visão e o propósito da execução de cada tarefa.

 

 

Gestão de entregas

Os times remotos também precisam saber o que é esperado de entregas diárias e semanais. Só assim, terão como alcançar seus objetivos. Ressalta-se aqui que, nesse momento, tudo o que o colaborador não quer é sentir que o seu trabalho foi em vão ou mesmo que tem um departamento abaixo do que está sendo pedido.

 

Com experiência na área de TI, o CEO da GPTW Brasil entende que esse é um momento no qual coordenação é vital: “as equipes precisam estar preparadas para enfrentar uma crise, trabalhar remoto, e fazer coisas extraordinárias em momentos de muita dificuldade, muita tensão”. Ah, e você acha que passar por esses pontos todos é um bocado difícil, pode ficar tranquilo: você não está sozinho. “Esse é um desafio do planeta nesse momento”, comenta Shiozawa.

 

 

O que um líder deve fazer?

 

Em artigo recente a consultoria McKinsey indica que o componente humano deve ser prioridade quando lidamos com uma tragédia dessa proporção. Algumas das indicações dadas pela consultoria norte-americana para as líderes:

 

  • Comunicação: não deixe que o time de comunicação ou RH lidem sozinhos com as mensagens para colaboradores. Os momentos de crise são os mais importantes para que as lideranças manifestem seu aspecto mais relevante: fazer uma diferença positiva na vida das pessoas.
  • Reconhecimento: lidar com tal cenário requer conhecimento dos desafios pessoais e profissionais que cada membro da equipe – e entes queridos – enfrentarão. É essencial um esforço para compreender e comunicar com clareza o que é esperado, sem deixar de demonstrar empatia.
  • Atue: Como a pandemia afetará pessoas de formas diferentes, desde o fechamento de escolas até a proibição de viagens, é importante que ter em mente as dificuldades de cada um dos membros do time e tomar medidas para prover suporte em cada caso.