Crescimento do uso de drones abre novas frentes de trabalho

Número de equipamentos registrados no Brasil aumenta quase 50% em um ano e cria oportunidades
20/09/2019

Você já deve ter percebido que o uso de drones vem crescendo mundialmente. Seja para fins recreativos ou comerciais, em segmentos como agronegócio, construção e de segurança pública, o aumento da utilização desses equipamentos já é visível no mundo todo. Por conta desse novo cenário, de acordo com um relatório feito pela AUVSI (Association for Unmanned Vehicle Systems International), 100 mil novos empregos relacionados aos drones serão criados nos Estados Unidos até 2025.

 

Apesar de não existir uma pesquisa similar no Brasil, especialistas acreditam que haverá aumento de oportunidades disponíveis nesse nicho nos próximos anos. Afinal, segundo o último relatório de registros de drones da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), referente ao mês de agosto, o Brasil tem mais de 75.077 drones registrados, contra 51.402 no mesmo período do ano anterior, o que representa um crescimento de 46,1%. O registro de aeronave não tripulada é necessário para todo drone com peso máximo de decolagem superior a 250 gramas e o cadastramento é feito de forma online  e gratuita.

O número de drones registrados no Brasil cresceu quase 50% em um ano, segundo dados da ANAC

“Por ser uma nova indústria, e que cresce rapidamente, estão sendo descobertas novas maneiras de utilizar o drone em segmentos diferentes. Com a ascensão em diversas áreas, surgiram profissões especializadas no uso dos equipamentos”, explica a especialista Raissa Mendes, gerente de marketing para as regiões da América Latina, Oriente Médio e África da DJI, empresa global especializada em tecnologia de drones civis e imagens aéreas. Segundo ela, grandes empresas estão investindo em frotas de drones e capacitando profissionais para realizar as atividades.

Exemplos no mundo todo de empresas que têm investido em novos negócios com o uso de drones não faltam, especialmente entre as startups. A americana DroneSeed usa o equipamento para mapeamento de áreas com câmeras antes de soltar sementes e pulverizar ervas daninhas. A startup com sede em Seattle tem como principal objetivo suprir as crescentes necessidades de reflorestamento de forma inteligente e eficiente. No Brasil, a Horus anunciou neste mês (setembro) que captou R$ 2 milhões de investimento em uma plataforma de Crowdfunding em apenas 34 dias. A empresa afirma atuar no agronegócio, assim como na topografia, controle ambiental, mineração e controle de obras para realizar o monitoramento e acompanhamento de safras, construções, georreferenciamento, mensuração de áreas, entre outros.

 

Para além das startups, não é segredo que o uso de drones está na mira de empresas como a Amazon. A varejista pretende levar aos clientes em 30 minutos ou menos usando veículos aéreos não tripulados. Na página do Prime Air a Amazon afirma que a opção de entrega será implementada “quando e onde tivermos o suporte regulatório necessário para realizar com segurança nossa visão”, algo que é esperado para acontecer em breve. Por aqui, em agosto o iFood anunciou que deu início a um novo projeto de entregas por drone no Brasil em parceria com a empresa de delivery SpeedBird Aero.

 

 

Um caso interessante apontado por Raissa é o da China Southern Power Grid, que implementou a inspeção de redes de energia elétrica em grande escala com tecnologia de drone. O projeto foi realizado em nove cidades para inspeção de linhas de transmissão e os drones entregaram resultados de inspeção detalhados com a mesma qualidade que os helicópteros tripulados, porém, por um custo muito menor. “O potencial dos drones não é apenas tirar fotos do céu. Eles estão coletando dados, processando-os de maneira significativa e permitindo que as pessoas os usem sempre. Os drones já estão se mostrando ferramentas valiosas de coleta de dados”, diz a especialista.

“O potencial dos drones não é apenas tirar fotos do céu. Eles já estão se mostrando ferramentas valiosas de coleta de dados”

 

 

 

Para aproveitar essas novas oportunidades de trabalho que aparecem com tantos investimentos feitas pelas empresas no mundo e no Brasil, saber pilotar o drone é pré-requisito básico. Além disso, Raissa dá algumas outras dicas para quem quer estar preparado para controlar as aeronaves não tripuladas: “o conhecimento do profissional deve ser bem amplo, passando por conhecimentos aeronáuticos e tecnologias empregadas e regulamentações”.

 

“Além disso, saber sobre o funcionamento dos drones, realizar inspeções e mapeamentos e processar imagens e dados gerados pelo equipamento”, recomenda. A parte de software, por meio do desenvolvimento de soluções operacionais e análises de dados também oferecem oportunidades, ainda de acordo com Raissa. “O Brasil apresenta um potencial enorme. A indústria de drones está desenvolvendo de forma muito rápida, e cada vez mais vemos novas soluções”.