Cibersegurança

Delatora da Cambridge Analytica defende que pessoas tenham direito de vender seus dados

Para Brittany Kaiser, uso de dados gerados pelo acesso dos usuário às redes precisa ser regulado por leis específicas

Delatora da Cambridge Analytica defende que pessoas tenham direito de vender seus dados

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Bruno Guedes, de Lisboa

À frente da fundação Own Your Data, que vai ganhando voz ao redor do mundo, a ativista Brittany Kaiser defendeu que qualquer pessoa tenha o direito a proteger seus dados virtuais e vendê-los a quem quiser, “em vez de oferecer de graça” sem qualquer consentimento. A afirmação aconteceu nesta terça-feira, em Lisboa, durante o painel “Algo ainda pode ser privado?” do Web Summit.

 

Brittany se tornou figura pública no ano passado ao denunciar a empresa britânica de análise estratégica de dados Cambridge Analytica, em que atuou como diretora de desenvolvimento de negócios por três anos. A companhia forneceu diversas informações de 50 milhões de norte-americanos, captadas por meio do Facebook, à campanha do atual presidente norte-americano Donald Trump, em 2016.

 

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Segundo ela, informações capazes de captar o perfil de cada usuário, preferências, posicionamento político e outros detalhes foram utilizados para direcionar conteúdos modulados e influenciar os eleitores.

 

A partir de então, Brittany iniciou uma empreitada nos Estados Unidos – que já ganhou projeção mundial – para a aprovação de leis que protejam os dados das pessoas na internet e permitam que elas consintam o uso por empresas ou órgãos governamentais.

 

“A maioria das pessoas ainda não faz nem ideia de que absolutamente todos os dados que ela produz todos os dias ao acessar as redes sociais estão sendo coletados e tratados ao redor do mundo por grandes companhias públicas e privadas”, disse a ativista. “Mas sem consentimento e sem qualquer transparência sobre o que será feito com eles, a quem eles serão repassados e de que forma serão usados”.

 

 

A ex-integrante da primeira campanha política de Barack Obama, em 2007, quando as redes sociais começaram a ser utilizadas para propaganda de candidatos, se refere principalmente às informações que o acesso de qualquer cidadão às redes pode gerar.

 

Ao interagir no Facebook, por exemplo, algoritmos são capazes de captar localização do usuário, preferências pessoais, perfil profissional e de consumidor. Esses dados são preciosos para essas empresas oferecerem ao mercado a possibilidade de uma publicidade personalizada para públicos de interesse, basicamente o ‘core business’ das redes sociais.

 

 

“Se você tem uma conta no Facebook, já não é dono da sua privacidade. Continuamos tão vulneráveis quanto em 2016”, disparou Brittany.

 

A ativista ressaltou que a mudança virá por três vias: educar as pessoas, criar novas leis de proteção de dados e usar tecnologia para dar ao usuário o poder de fazer o que quiser com as informações resultantes de seu acesso à rede.

 

No âmbito legal, Brittany tem feito lobby no Congresso norte-americano e entre legisladores dos estados em prol de seu projeto, com alguns avanços locais.

 

Já para a viabilidade técnica que permita a privacidade de dados na rede, Brittany defende o uso da criptografia, especificamente pela tecnologia dos blockchains, para garantir a restrição de acesso a dados de cada usuário.

 

Blockchain é utilizado para criação de lastro virtual das transações de criptomoedas. Através dela, cada cidadão terá controle sobre a gama de dados que produz na rede e consentir ou não sua utilização.

 

O painel no Web Summit teve inclusive a participação de David Chaum, CEO da Elixxir, plataforma tecnológica de blockchain com viés para a proteção da privacidade (na foto acima, ao lado de Britanny). “Eu percebi como fundamentalmente a criptografia pode ser o único jeito com o qual as pessoas podem proteger seus próprios interesses de forma verdadeiramente democrática”, afirmou Chaum.