Dicas de empreendedorismo e carreira com a Geração Z

Os primeiros nativos digitais não têm medo de se arriscar e inovar. Entenda o que você pode aprender com eles para impulsionar sua carreira

Carolina Pereira

11/09/2019

Já sabemos que há uma necessidade constante de acompanhar e se adaptar às mudanças tecnológicas que transformam o dia a dia e o ambiente de trabalho de todos. Mas o fato é que a geração que nunca viveu em um mundo sem internet, celulares ou computadores possui muito mais facilidade de adaptação em meio a tantas transformações. Além disso, a chamada Geração Z, que engloba os nascidos entre 1996 e 2010, também é considerada a geração do empreendedorismo.

 

Geração Z é a primeira a ser nativa digital e também se caracteriza por seu raciocínio rápido e por não ter medo de se arriscar e inovar, características que são de grande importância para quem quer empreender. Para entender quais são as lições de carreira que as demais gerações podem aprender com estes jovens, o IT Trends conversou com Thiago Raydan, que já esteve por trás de mais de 40 cursos em temas relacionados a empreendedorismo, gestão, criatividade e inovação. Atualmente ele se dedica a levar a disciplina “Empreendedorismo Criativo” ao máximo possível de escolas do Brasil como matéria obrigatória por meio da Mind Makers. Confira as dicas do especialista para aprender com a Geração Z:

 

Por que a geração de nativos digitais tem mais facilidade para empreender?

 

Thiago Raydan: A geração Z é influenciada diretamente pela tecnologia porque já nasceu em um universo 100% dominado pela internet. A internet tem uma característica que é de ampliar as possibilidades e as informações para tudo e há abundância de recursos para tudo. E criatividade e empreendedorismo têm muito a ver com conseguir perceber possibilidades, consumir repertório, consumir informação e saber organizar informações e dados sobre a realidade a seu favor. Então, literalmente, eles são crianças que cresceram produzindo conteúdo.

Não só estão em um mundo em que podem consumir qualquer tipo de conteúdo, como também são produtoras de conteúdo. O Facebook pergunta para elas: “o que você está pensando?”, e elas informam isso para centenas de pessoas diariamente. Comunicação, sintetização de informação e produção de conteúdo são habilidades que ajudam muito as pessoas na hora de empreender.

 

O que podemos aprender com a Geração Z em relação à carreira?

 

Thiago Raydan: Nunca foram tão importantes conceitos como sustentabilidade, consciência, impacto positivo. Nunca se falou tanto sobre a importância de ter uma gestão de pessoas de qualidade e pessoas felizes, que trabalham por propósito. A geração Z já mudou o comportamento de mercado, dando preferência para o consumo de coisas que tenham significado. Elas também preferem se engajar em trabalhos e empresas que tenham significado. Preferem ter amizades e relacionamentos que tenham significado.

 

Existe um processo hoje em dia de olhar para dentro e se conhecer. Buscar transmitir significado e impacto positivo independentemente de qual tipo de trabalho que você tenha. Gerações que estão aposentando hoje estão começando a ter anseios que os jovens começaram a ter desde o início da vida. A pessoa se aposenta e, pela primeira vez, vai refletir sobre o que gosta e o que é boa em fazer, quais são as suas paixões e aptidões. Muitas vezes a pessoa se aposenta e se sente sem lugar no mundo. Os jovens e adolescentes naturalmente já crescem refletindo sobre a vida. As gerações passadas podem se espelhar muito nisso.

 

Como as gerações anteriores também podem adquirir capacidades como estas?

 

Thiago Raydan: As gerações passadas têm aversão a novos comportamentos. Eles não são os primeiros adeptos das novas tecnologias ou das novas formas de se fazer as coisas. Então eu acho que essas pessoas precisam entender justamente o que os meninos da geração Z já entendem na hora em que eles nascem: o universo digital abre muitas possibilidades e oportunidades em áreas nas quais não necessariamente você é um especialista, mas que se você tirar um tempo, você consegue se aprofundar e criar conexões, graças ao universo digital.

 

A dica é constantemente se colocar fora de uma zona de conforto e pensar que as zonas de segurança que temos na nossa cabeça não necessariamente são as zonas que são realmente seguras. Conviver com pessoas novas ajuda muito. Gerações passadas não podem envelhecer e ficar distantes da juventude, sabe? Têm que estar sempre perto, conversando com idades diferentes. Não só jovens, mas crianças também. É bom estar sempre próximos dessas pessoas para entender o que elas estão percebendo que você não está.

 

Você leciona empreendedorismo criativo para crianças e jovens. Quais habilidades estão sendo ensinadas a estes futuros empreendedores?

 

Thiago Raydan: Os primeiros anos têm foco grande em duas competências claras, que são comunicação e pensamento crítico, criativo e científico. Em comunicação, também há uma outra competência, que é a empatia. Estas são as primeiras coisas que temos que trazer para os alunos nessa faixa de idade, antes de pensar em dinheiro e em empreender meramente como empresariar. Pensamento crítico é muito sobre buscar lacunas na realidade. Pensamento criativo é propor alternativas, e pensamento científico é de fato testar uma nova alternativa de realidade que está percebendo.

 

Tudo isso está dentro das habilidades que a gente desenvolve já no início do curso: falar melhor, escrever melhor, escutar melhor, ler melhor. Nesse início acho que é muito mais importante trabalhar habilidades e competências do que necessariamente conteúdos.

 

E qual é a importância da tecnologia nesse contexto? 

 

Thiago Raydan: não tem como afastar essa geração disso, o celular é quase um membro do corpo. A partir dali se interage com o mundo inteiro, se comunica, se atualiza, mantém contatos. A tecnologia já faz parte da rotina da galera da escola. A principal tecnologia que a gente tem que desenvolver em sala é uma tecnologia humana, social, sempre usando tecnologias do dia a dia como a principal referência. A criatividade tem um potencial muito grande em tecnologias avançadas, mas a gente pode aprender a ser criativo com coisas muito pequenas. Para empreender não precisa de supercomputadores ou de inteligência artificial.

 

Empreender é muito mais uma postura e um pacote de habilidades que podem ser usados em qualquer universo do que necessariamente um recurso técnico. Empreender empodera a gente a conseguir ver novas possibilidades no mundo em que a gente vive.