Diploma universitário vai deixar de ser relevante em 2040, dizem experts

Especialistas dizem como será a preparação para o mercado de trabalho no futuro
03/02/2020

Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter um diploma de curso superior não é garantia de empregabilidade. E as coisas vão ficar ainda mais complicadas se as universidades não se adaptarem para as demandas do mercado. É o que afirmam seis especialistas ouvidos por uma reportagem da Fast Company.

 

 

Os experts em educação elencaram uma lista com prováveis cenários sobre como será a relação entre ensino superior e mercado de trabalho nos próximos 20 anos. Futurologia? Nem tanto. Muitos dos pontos levantados na reportagem já são sentidos hoje por profissionais e empresas.

 

 

Há um consenso de que trabalhadores, empregadores e instituições de ensino precisam ser ágeis, flexíveis e adaptáveis conforme o avanço tecnológico continua a disrupção de indústrias estabelecidas e mudar quais empregos estão ou não disponíveis. Confira o que eles disseram:

 

 

  1. Faculdades serão forçadas a se adaptar para atender as demandas dos empregadores

 

Isso é uma constante, mas a mudança de paradigma terá que ser mais rápida ou os cursos superiores deixarão de ser relevantes. De que adianta um canudo na mão se o profissional não adquiriu os conhecimentos e habilidades necessários para exercer a profissão fora da sala de aula?

 

 

Com os estudos ficando cada vez mais caros, a faculdade precisará ser um investimento capaz de oferecer retorno. Caso contrário, mais profissionais vão buscar adquirir conhecimento técnico em cursos extra-curriculares. Para Johny C. Taylor Jr, CEO da Sociedade de Gestão de Recursos Humanos, as faculdades terão que se ajustar ao que os empregadores procuram e oferecer um foco maior em formação técnica.

 

 

Os experts afirmam, porém, que a faculdade ainda será uma boa porta de entrada para o primeiro emprego – mas não a única, como acontece em muitos casos atualmente. Para quem conseguir entrar em uma universidade de ponta e se sustentar durante 4 anos de estudo, essa ainda será a melhor opção. “Para todos os outros, é melhor pensar em uma rota alternativa”, afirma Ryan Craig, co-fundador do fundo University Ventures.

 

 

  1. Teremos mais alternativas às faculdades tradicionais

 

 

Empresas vão oferecer mais programas próprios de aprendizagem, onde os trabalhadores vão desenvolver o que Craig chama de “as habilidades que faltam entre o ensino médio e o que os empregadores estão procurando”.

 

 

Esses programas serão como escolas técnicas especializadas e patrocinadas por companhias específicas, mas ainda terão um custo para o estudante, ainda que menor do que o de uma faculdade privada. Mesmo após completar o curso, será preciso que as empresas superem o receio de contratar um profissional treinado, mas inexperiente.

Nem todos os especialistas enxergam esse tipo de iniciativa como positiva. Primeiro porque nem todas as empresas podem bancar um programa de ensino. Segundo, porque um programa assim pode “prender” o futuro profissional ao jeito que aquela empresa trabalha, diminuindo sua mobilidade pelo setor.

 

  1. Mais empregos vão exigir competências tecnológicas de alto nível

 

As chamadas “soft skills” são consideradas os diferenciais entre os profissionais atualmente: comunicação, empatia, criatividade, colaboração e liderança, por exemplo. Elas continuarão sendo importantes, mas com a automatização mais e mais vagas de trabalho serão preenchidas por quem tiver competências para lidar com a tecnologia avançada.

 

 

“É importante se questionar sempre, como indivíduo, como a tecnologia vai afetar sua área de trabalho?”, alerta Scott Latham, professor da Universidade de Massachusetts Lowell. Quem trabalha com vendas ou marketing precisa aprender a usar ferramentas como Salesforce. Enfermeiras e médicos terão que aprender a trabalhar ao lado de robôs.

 

 

  1. Especialistas serão mais valiosos do que generalistas

 

Essa já é uma realidade e a valorização dos profissionais especializados vai continuar crescendo nos próximos 20 anos, afirma Michael Rowland, COO da Fountain, empresa especializada na contratação temporária de profissionais.

 

 

Para Rowland, mesmo pequenas empresas vão optar por trabalhar com especialistas para tarefas específicas. “Eles podem contratar um advogado para lidar com os impostos e outro para escrever um mandato. Talvez nenhum dos advogados viva na mesma cidade e toda a interação seja num espaço virtual”. É uma relação diferente do que acontece hoje, em que se costuma terceirizar toda uma área da empresa para o mesmo prestador de serviço.

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Cada vez mais, a contratação será uma transação temporária feita conforme a necessidade para uma demanda específica, diz Rowland.

 

  1. Microcredenciamento será muito importante

 

Com o avanço da tecnologia, o que os trabalhadores buscam em um empregador também vai passar por mudanças, ainda mais em segmentos voláteis e disruptivos. “O cenário ideal em um negócio disruptivo é que o profissional continue exercendo a mesma função, mas seja capacitado para trabalhar com a nova tecnologia”, afirma Latham.

 

O professor não descarta o pior cenário, em que robôs, drones e Inteligências Artificiais vão passar a fazer o trabalho e simplesmente eliminar os postos de trabalho. Nessa situação, os profissionais terão que aprender novas habilidades e buscar novos empregos. Nada fácil.

 

“Vamos ficar em algum ponto no meio disso”, diz Latham, que acredita que por conta das mudanças constantes, profissionais precisarão de microcredeciamento continuado, ou seja, estar sempre aprendendo novas habilidades e competências, sempre se atualizando.

 

 

  1. Empresas que encorajam uma cultura de aprendizado serão as mais visadas

 

 

Todos os experts entrevistados pela Fastcompany concordam que os profissionais precisam enxergar suas carreiras como extensões da educação continuada. “É preciso ser curioso, a curiosidade é o que vai te dar vantagem no jogo”, aconselha Taylor.

 

 

Da mesma forma, empresas que cultivam uma cultura de aprendizado serão beneficiadas e vão prosperar. Para Leah Belsky, líder da plataforma de ensino online Coursera, facilitar o treinamento será parte do trabalho dos gestores. “As empresas já sabem que para vender suas novas tecnologias, precisam estar no ambiente de ensino. Elas sabem que não existem profissionais qualificados o bastante”.

 

 

“Ninguém sabe exatamente como será o futuro”, alerta Taylor. “Você só tem que ficar confortável em se sentir desconfortável”.

 

 

Fonte: Fastcompany