É possível levar a metodologia Agile para o seu comportamento?

Especialista dá 7 passos para criar um Modelo Ágil Comportamental e impulsionar a carreira

Carolina Pereira

03/09/2019

Se você trabalha ou já trabalhou com desenvolvimento de software ou gestão de projeto, certamente já ouviu falar da metodologia Ágil, ou Agile, que tem sido adotada por muitas empresas para tornar processos mais rápidos. Ela foi pensada inicialmente para facilitar a criação e entrega de sistemas desenvolvidos pela área de TI, mas o conceito já atingiu diversas outras áreas.

 

Resumidamente, Agile consiste em uma forma de acelerar as entregas durante o desenvolvimento de um projeto, fracionando o todo em entregas. O trabalho é feito em times com equipes multidisciplinares para atingir uma meta estabelecida a cada fase. Isso tudo não é novidade. Mas já imaginou levar esses métodos para o seu comportamento profissional, não importa a área em que você atue? É o que propõe a especialista em desenvolvimento Susanne Andrade.

 

Coach, Palestrante e professora de cursos de MBA pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP) em disciplinas sobre carreira, coaching e liderança, Susanne é criadora e defensora do Modelo Ágil Comportamental (MAC), inspirado na metodologia Agile, sobretudo o Scrum. No Scrum, os projetos são dividos em ciclos (tipicamente mensais) chamados de Sprints.

Para entender o conceito criado pela especialista, é preciso compreender que agilidade é diferente de correria. “Trata-se de um conceito em que a qualidade do tempo e o melhor aproveitamento são essenciais. O grande diferencial do mundo ágil é desacelerar para conectar as pessoas por meio de um propósito”, diz ela no livro “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”, publicado pela Editora Gente.

 

“O grande diferencial do mundo ágil é desacelerar para conectar pessoas por meio de um propósito”

 

Para Susanne, com o uso da simplicidade é possível fugir dos exageros e desperdícios encontrados dentro da maioria de empresas, que ainda insistem em operar de maneira hierarquizada, com gestão de conflito e comando de controle. Por isso, a liderança é peça-chave para disseminar o MAC. “Sabemos que a saída para sermos bem-sucedidos é a humanização dos processos, tomando como primeira medida o desenvolvimento de liderança e equipe em uma nova perspectiva, ao mudar o mindset dos colaboradores para uma gestão colaborativa e humanizada”, defende.

 

O grande entrave é que em muitas empresas ainda prevalece o modelo de liderança baseado no comando e controle, quando deveria predominar o que ela chama de liderança servidora, em que os chefes conhecem o colaborador e sabem como direcionar melhor as funções de acordo com o perfil de cada um. Ironicamente, estes líderes controladores exigem dos colaboradores a capacidade de autogestão, que estes funcionários acabam sendo incapazes de desenvolver devido ao modelo em que estão inseridos.

 

A saída para os líderes que querem implementar o MAC é estar o mais próximo possível do time para saber quem é quem, direcionando as atividades certas para cada um, de acordo com os respectivos perfis. Assim, é possível alinhar o propósito de cada profissional com a sua atividade, gerando mais engajamento e motivação. “Outra dica é liderar através de perguntas, para que o profissional possa mostrar sua opinião e assumir responsabilidades, preparando o funcionário para autogestão”, indica a especialista.

 

E por qual motivo gerar mais autonomia é importante? Além de trazer satisfação para a maioria dos profissionais, para que os times sejam realmente ágeis, algo que vem sendo cada vez mais exigido em meio à transformação digital, a gestão precisa ser mais horizontal. “Se isso não acontece, os gestores ficam sobrecarregados. Além disso, os jovens precisam e demandam mais voz ativa dentro dos times”, esclarece Susanne. Para estar em linha com as habilidades da era digital, é preciso agilidade, e ela só pode ser atingida com autonomia a todos os membros de uma equipe. Tudo isso, com base na metodologia Agile.

 

E essas mudanças não cabem apenas à liderança. Para os demais, também é importante adotar este modelo, que pode ter início com feedbacks dados aos líderes. “Por exemplo, aqueles que gostam de desafios, podem informar isso para a liderança e solicitar mais atividades com este perfil”, recomenda.

 

 

Mais agilidade, menos estresse

 

O grande objetivo de Susanne com o MAC é aumentar a felicidade no trabalho por meio de desenvolvimento de habilidades ágeis e simples, que estão ligadas diretamente ao aumento de produção com menos tempo de trabalho, com mais satisfação. Afinal, o Brasil já é o segundo país mais estressado do planeta, perdendo apenas para o Japão, segundo pesquisa da International Stress Management Association, que estuda o estresse no mundo.

 

A pressão por resultados, sobrecarga de funções, ambiente desagradável, longas jornadas, falta de autonomia e má distribuição de atividades estão entre os principais motivos do crescente nível de estresse dos trabalhadores brasileiros. Além de prejudicar a saúde, o desgaste do profissional leva à queda da produção e do rendimento diário, prejudicando os resultados do profissional e da empresa em que atua. Para sair desse ciclo, a recomendação da especialista é usar a humanização e colaboração como caminhos para a realização, tudo inspirado na metodologia ágil.

 

Para colocar em prática o Modelo Ágil Comportamental, Susanne sugere sete passos para quem quer dar início a essa jornada de mudança em busca de mais satisfação e produtividade, com base na metodologia Agile:

 

1 – Identifique seu propósito

 

2 – Invista em sua inteligência emocional

 

3 – Assuma o protagonismo, ouse e tenha atitude

 

4 – Construa um ambiente colaborativo

 

5 – Lidere de maneira humanizada

 

6 – Flexibilize, inove e dê adeus ao medo de errar

 

7 – Encante seus clientes