Saiba o que a economia tem a ver com a sua estratégia de TI

Pesquisa mostra que ameaças e riscos internos e externos preocupam CIOs
18/03/2019

 O atual cenário econômico e financeiro do país traz incertezas e impactos para todos os setores de atividade. Para o segmento de TI, claro, não é diferente.  Na última pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, realizada em 2018, a maioria dos CIOs de todo o país apontou o baixo crescimento ou estagnação como o fator externo que mais ameaça a implantação das suas estratégias de TI dentro das companhias. Mais da metade dos consultados (50,7%) fizeram essa afirmação, o que mostra a grande preocupação do mercado, no ano passado, com todo o ambiente econômico e suas consequências para a tecnologia e o negócio. 

 

Para se ter uma ideia do temor do setor de TI, dentre as ameaças externas citadas, o baixo crescimento ou estagnação trazem mais preocupação aos CIOs do que fatores historicamente importantes para o mercado como aumento da concorrência/ruptura do modelo de negócios (em função de novos entrantes), apontado por 37,8%, ou até a falta de mão de obra qualificada, que vem em seguida, citada por 33,4%. Amesmo o já tradicional problema da alta tributação de produtos e serviços, preocupação recorrente no Brasil para todos os setores, foi apontado por um percentual menor de CIOs como uma ameaça: 25,3%.  

 

E por que dados como estes são relevantes para toda a comunidade de TI? No momento em que o mercado sente um cenário econômico mais desafiador, projetos de TI podem diminuir, e o foco na questão de redução de custos passa a ser maior. E é normal que em um ano de eleições, como foi 2018, ainda com incertezas em relação a qual candidato seria eleito e seu plano econômico, a insegurança dos gestores seja grande. Neste cenário, a maioria das empresas avaliadas optou por não aumentar o orçamento de TI em 2018, e sim manter o mesmo número de 2017. Essa foi a opção de 22,6% dos CIOs que responderam à pesquisa. Além disso, 10,5% das empresas optaram por diminuir o orçamento anual.  

 

Para quem trabalha no setor, é importante saber como os gestores de TI estão lendo o mercado, e preparar-se para os possíveis impactos dessa leitura. Aos gestores, será que suas conclusões sobre o atual momento estão de acordo com a maioria? Suas expectativas são as mesmas do mercado, ou estão muito diferentes? Confira todos os riscos e ameaças apontados pelos CIOs no gráfico abaixo e faça sua avaliação: 

  

 

 

A grande preocupação da maioria dos CIOs com o baixo crescimento, estagnação e possível impacto na estratégia de TI (e nos negócios) se justifica quando analisamos amplamente o cenário macroeconômico do país. Depois de a economia ter saído da recessão com uma expansão de 1% no ano de 2017, após duas quedas consecutivas, ambas de 3,5%, havia receio no mercado, em 2018, quanto aos próximos anos. E não era para menos: essa sequência de dois anos seguidos de baixa, em 2015 e 2016, só havia sido registrada no Brasil em 1930 e 1931. 

 

Além disso, ao longo do ano de 2018 alguns fatos mostraram que os temores quanto ao cenário econômico, íam, infelizmente, se justificar. O ritmo de retomada atingido em 2017 acabou sendo quebrado no ano seguinte por fatores como a tão comentada greve dos caminhoneiros, ocorrida no segundo trimestre, quando foram bloqueadas estradas, impedindo a circulação até de itens essenciais, como alimentos, gás de cozinha e combustíveis.  

 

O fato é que, neste cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% em 2018, na segunda alta anual consecutiva após 2 anos de retração. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em fevereiro. O crescimento foi o mesmo registrado em 2017, e é considerado decepcionante diante das expectativas iniciais. 

 

Mas, afinal, o que isso tudo tem a ver com a estratégia de TI da sua empresa? O PIB mede a atividade econômica e o nível de riqueza de uma região. Quanto mais se produz, mais se está consumindo, investindo e vendendo no país. Ou seja, quanto melhor está o desempenho do PIB, a tendência é que melhor esteja, também, o desempenho da sua empresa, independentemente de seu setor de atuação. Dessa forma, é sempre importante estar atento a estes números, que podem ter impacto indireto na sua estratégia de TI, no fim das contas 

 

Fatores internos: quando a ameaça vem de dentro 

 

Nem só fatores externos trazem ameaças e riscos à implantação da estratégia de TI. Também é preciso prestar atenção no impacto negativo de alguns fatores internos, que acabam, também, tendo influência do cenário econômico atual. Na mesma pesquisa, as restrições financeiras para investimentos foram o fator interno mais apontado pelos CIOs como ameaça. Este fator pode estar ligado aos fatores externos já citados.  

 

Neste cenário, as restrições financeiras se sobrepõem à preocupação dos líderes de TI com ameaças ligadas aos fatores culturais das empresas, que muitas vezes acabam configurando como ameaça interna. A resistência a mudanças foi apontada por 44,6%, falta de cultura em inovação (37,1%) e baixa eficácia e eficiência dos processos atuais (34,8%). Nesse momento, o aspecto financeiro parece se sobrepor aos demais na avaliação dos CIOs 

 

Estreitamento das margens de lucro também é uma preocupação de quase 30% do total (28,2%). A boa notícia é que um levantamento mostrou que as 308 empresas com ações negociadas na bolsa brasileira lucraram, juntas, R$ 39,442 bilhões no segundo trimestre de 2018, alta de 76,25% em relação ao mesmo trimestre do ano de 2017. Os dados são da consultoria Economatica.  

 

O resultado foi fortemente influenciado pela Petrobras: com ganho de R$ 10 bilhões no período, a estatal lucrou mais de 25% do total de todas as empresas na bolsa. Porém, mesmo desconsiderando Petrobras e Eletrobras, cujo resultado também cresceu muito (de R$ 305,6 milhões para R$ 2,8 bilhões na comparação entre segundos trimestres), o lucro das empresas de capital aberto, ainda assim, cresceu 20%, de R$ 21,75 bilhões para R$ 26,55 bilhões. Se depender destes dados, os CIOs podem respirar aliviados e riscar uma das preocupações da lista. Mas é bom lembrar que o recorte não avalia o desempenho das empresas de capital fechado. Conheça todos os fatores internos temidos pelas empresas no gráfico abaixo:  

 

 

  

O lado positivo  

 

Um ponto positivo observado pelos dados de mercado desse período é em relação ao custo da TI. O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação nula no mês de dezembro de 2018, mantendo-se praticamente estável em relação ao observado em novembro (-0,01%). Na comparação interanual, observa-se que o resultado do ICTI em dezembro não só ficou bem abaixo do registrado neste mesmo mês de 2017 (0,66%), mas também apontou o menor nível de variação para o mês de dezembro desde o início da série histórica em 2013. 

 

Na comparação do acumulado de doze meses, o número se situa abaixo dos índices gerais de preços: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP). No acumulado do ano, o indicador exibiu o menor aumento entre os índices analisados 

 

O índice de preços do Ipea capta a evolução dos custos da área de tecnologia da informação e serve para embasar os reajustes de valores contratuais do governo federal, podendo ser usado também pelo setor privado. O objetivo é manter o controle dos gastos públicos com um indicador de maior precisão que os índices de preços gerais. Este acompanhamento é feito porque os custos efetivos na área de TI podem evoluir de forma distinta da média dos preços na economia, captada pelos índices gerais 

  

Mesmo com o custo sob controle, o momento mostra aumento da preocupação dos executivos em manter a eficiência operacional das empresas, tornando processos mais ágeis e eficientes para manutenção da competitividade. Para atender a essas metas e continuar a inovar, os líderes de TI experientes devem decidir cuidadosamente, para 2019, quais investimentos de tecnologia devem ser feitos para impulsionar a inovação, aumentar a participação no mercado, desenvolver e implantar novas soluções e atender às necessidades dos clientes.