Empreendedorismo

Gig Economy vai mudar a forma como você trabalha

Trabalhos autônomos sempre existiram. Mas, em plena era da Transformação Digital, ganharam outra dimensão. Entenda

Gig Economy vai mudar a forma como você trabalha

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Françoise Terzian

Um designer gráfico realiza, remotamente, trabalhos como freelancer. Um professor trabalha como Uber nos fins de semana. Uma dona de casa vende Avon nas redes sociais. Uma aposentada compartilha fotos de peças em tricô em um marketplace virtual que incentiva trabalhos autorais. Em comum, todos eles fazem parte de um movimento crescente e irreversível batizado de Gig Economy, também conhecida por Economia de Plataforma, Economia Ponto a Ponto ou Economia Freelance.

 

Trabalhos autônomos sempre existiram. Mas, em plena era da Transformação Digital, ganharam outra dimensão. Hoje, graças às plataformas tecnológicas, trabalhos não convencionais avançam em todo mundo. A tecnologia surge como facilitadora para aproximar oferta e demanda, vendedor e comprador. “Hoje, se você não quiser sair de casa para ir ao supermercado ou à farmácia, você se conecta a um aplicativo e resolve. É uma característica de consumo que vai afetar todas as áreas”, avisa Caio Bianchi, coordenador do Digital Business Lab (DB Lab) da ESPM.

 

A Gig Economy ainda encontra-se em estágio inicial de desenvolvimento. Uber e outros aplicativos de solicitação de veículo, assim como o Airbnb, são os exemplos iniciais dessa nova economia por facilitarem transações diretas entre consumidor e produtor, permitir trabalho flexível e pagamentos online. Especialistas acreditam que, mais cedo ou mais tarde, esse conceito acabará atingindo praticamente todas as profissões. E também criará inúmeros outros modelos de negócios.

 

“Ainda mais na economia brasileira, na qual é difícil conseguir emprego formal que atenda às necessidades do empregado e do empregador”, afirma Juliana Inhasz, coordenadora de graduação em economia do Insper. De um lado, o profissional vende seu trabalho pontual para um projeto, enquanto o contratante obtém mão de obra especializada sem custos extras e sem nem mesmo ter a necessidade de motivar e reter o talento. As dores da contratação somem, assim como a obrigatoriedade de bater ponto.

 

 

Embora os profissionais tenham idades variadas, é nos millennials que a Gig Economy encontra sua tribo. Calcula-se que mais de 50% dessa geração já esteja trabalhando nesse estilo. “O jovem não gosta de ser empregado e não gosta de hierarquia. Nesse caso, essa nova configuração de trabalho é muito mais adequada para a nova geração que enxerga oportunidades da Gig Economy com mais afinidade”, explica Alessandra. Não por acaso, economistas relatam que todo o crescimento líquido de empregos entre 2005 e 2015 ocorreu nesse tipo de trabalho.

Embora os profissionais tenham idades variadas, é nos millennials que a Gig Economy encontra sua tribo. Calcula-se que mais de 50% dessa geração já esteja trabalhando nesse estilo

Dois fatores transformaram a Gig Economy em tendência: o fato de as empresas cortarem custos sempre que podem, já que é mais barato contratar mão de obra a funcionários em período integral, e a tecnologia que permite trabalhar de qualquer lugar a qualquer hora.

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