Inovação em tempos de crise

Menos de um terço das empresas se considera à frente de seus concorrentes quando o assunto é inovação. Em tempos de pandemia e incertezas econômicas, é hora de se preocupar?

Carolina Pereira

24/03/2020

Apenas 30,5% das empresas se consideram à frente de seus concorrentes quando o assunto é inovação de produtos e serviços, segundo dados da pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, feita com CIOs das maiores companhias do país. No entanto, em um momento como o que vivemos hoje, em que o Ministério da Economia prevê crescimento zero para 2020, exercer a capacidade de inovação pode ser crucial para que profissionais e empresas garantam seu lugar no mercado. “É preciso exercer muito a criatividade e a inovação para conseguir driblar diversos obstáculos e atingir o cliente de acordo com as necessidades atuais dele”, indica Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa do Talenses Group especializada no recrutamento.

 

Essa necessidade requer, talvez, uma mudança no comportamento dos profissionais para reforçar uma mentalidade inovadora. Já que a grande maioria (63,3%) ainda se considera “na média” quando o assunto é inovação. Ou seja: nem uma das primeiras e nem uma das últimas a inovar, em comparação com os concorrentes. Será que esse comportamento será suficiente para manter os negócios de pé em um momento de incertezas com o que vivemos, em decorrência da pandemia do novo coronavírus?

 

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“Entendo ser necessário manter a energia positiva e acreditar que nós temos esse potencial e habilidade para desenvolvermos nossos produtos e serviços de maneira inovadora e superarmos esse momento turbulento que estamos passando”, afirma Vianna. E, para que a equipe tenha esse mindset, o papel do líder é fundamental. Segundo a especialista Flora Aves, da SG Aprendizagem Corporativa, é crucial a criação de ambiente favorável para que os times possam trazer ideias sem medo, sabendo que serão ouvidos. “É, também, responsabilidade do líder apoiar o time para que errem em ambiente seguro e saibam que errar faz parte do processo. Saber lidar com a vulnerabilidade e aceitar que não tem todas as respostas também é essencial”, diz.

 

 

Alguns líderes do mercado de tecnologia já têm dado o exemplo nas últimas semanas pela forma com que estão lidando com a crise. No sábado (21), Jeff Bezos postou uma carta aberta aos funcionários da Amazon na qual aborda a postura da companhia em meio à pandemia. O texto vem sendo elogiado por especialistas pois, como menciona Flora, aponta de forma honesta e transparente a vulnerabilidade do atual momento e mostra que ainda não se pode saber o que e como irá acontecer. “Não há manual de instruções para dizer como se sentir em um momento como este, e eu sei que isso causa stress a todo mundo”, diz ele em trecho da postagem.

 

Ao mesmo tempo, o CEO da Amazon também anunciou mudanças em processos de logística, transportes, supply chain, entre outros, para suportar a sobrecarga de pedidos. Afinal, são os momentos como estes que mais pedem novas ideias que possam rapidamente ser colocadas em prática. “Meu próprio tempo e pensamento agora estão totalmente focados na Covid-19 e em como a Amazon pode desempenhar melhor seu papel”, afirma no comunicado.

 

“É preciso exercer muito a criatividade e a inovação para conseguir driblar diversos obstáculos e atingir o cliente de acordo com as necessidades atuais dele”

 

De fato, em momentos de crise ou não, são os CEOs, como Bezos, que acabam sendo os grandes patrocinadores das iniciativas de inovação das empresas, ainda de acordo com a pesquisa feita com os CIOs. “O papel do líder é provocar esse pensamento menos óbvio e operacional em sua equipe. Para isso, é preciso conquistar um relacionamento sólido, próximo e de confiança com a equipe, e sempre que achar pertinente questioná-los sobre novas formas e práticas que podem ser usadas para entregar o que estão acostumados a desenvolver”, pontua Vianna.

 

Investimentos e mudanças

 

Atualmente, cerca de 14% do orçamento de TI já vem sendo direcionado para a inovação, ainda de acordo com a pesquisa “Antes da TI , a Estratégia”. Ainda não é possível avaliar as mudanças que o novo cenário trará em termos de investimento. De qualquer forma, já se sabe que o momento é desafiador e pode trazer mudanças na estratégia das companhias de todos os setores.

 

“Mudar é algo que, em geral, gera desconforto, em função do desconhecido. O cenário atual exige de todos os níveis uma maior resiliência e adaptabilidade. Quando se ocupa uma posição C-level, a resistência não é uma alternativa, pois estes são os profissionais que devem mobilizar a organização para que se mantenha competitiva, inovadora, ágil e adaptável”, avisa Flora.

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