A conexão de IoT com as empresas brasileiras

Pesquisa mostra que falta de conhecimento pode ser barreira
18/03/2019

Vivemos um momento em que os mais diversos bens de consumo como carros, geladeiras e até casas ganham sensores e conexão com a rede para armazenar e transmitir dados. A intenção não é apenas conectar os aparelhos, mas usar as informações enviadas e recebidas dos dispositivos para aumentar a inteligência e a produtividade dos negócios e, assim, impulsionar a rentabilidade das empresas. 

 

Passado o momento de curiosidade, a tecnologia amadureceu e soluções estão brotando nas mais diversas áreas de negócios. Os exemplos citados acima são todos de fora do Brasil. Então, como será que as organizações brasileiras enxergam a IoT e como estavam planejando investir na tecnologia ao longo de 2018, possivelmente trazendo impactos para os negócios em 2019?

 

A pesquisa “Antes da TI, a Estratégia” questiona todos os anos CIOs das maiores empresas do Brasil para entender o cenário de inovação tecnológica do setor privado. Falando sobre a percepção das companhias quanto à Internet das Coisas, as previsões de investimentos sofreram uma ligeira queda de 2017 para 2018. No ano de 2017 a porcentagem de entrevistados que afirmaram ter planos de investir na tecnologia nos 12 meses seguintes era de 50,8%, número que caiu ligeiramente para 47,2% no ano seguinte.  

 

 

Os números mostram que tanto em 2017 quanto em 2018 cerca de metade das empresas consultadas tinham planos de investir em IoT. Além disso, outra boa notícia para os entusiastas da Internet das Coisas é que o percentual de empresas que apontam que começariam a explorar a tecnologia subiu de 30,9% em 2017 para 32,5% em 2018.   

 

E por mais que as organizações saibam das inúmeras possibilidades que a inovação oferece, como ganho de eficiência, redução de custos e melhoria no desenvolvimento de estratégias e na experiência do cliente, quase metade das companhias no Brasil ainda não tem planos para implementar a tecnologia (46,3%), mostrando que, apesar de ser uma das inovações que mais as empresas vão investir, ainda não é uma unanimidade entre todos os entrevistados. 

 

 

 

Uma das barreiras para que os investimentos em IoT não sejam maiores pode ser a falta de conhecimento aprofundado sobre o assunto. Em 2018, 46% dos entrevistados afirmaram que ainda precisam saber mais sobre a tecnologia. No ano anterior a quantidade de empresas que concordaram com a mesma declaração foi de 54,7%, indicando que as companhias buscaram conhecer mais sobre a Internet das Coisas de um período para o outro. Mesmo assim, a proporção de CIOs que apontam necessidade de mais conhecimento sobre o assunto ainda é grande, chegando a quase metade dos respondentes.  

 

 

 

Outro aspecto interessante a ser avaliado é a crença por parte dos CIOs quanto ao impacto de IoT no segmento em que atua e na própria empresa. No ano de 2017, 30,9% dos pesquisados acreditavam que a IoT teria uma grande influência em seus negócios, ficando na terceira posição entre as tecnologias que mais impactariam as organizações. Já em 2018, esse percentual caiu para 24,0%, sendo ultrapassado pelo tema mobilidade (24,9%), que antes vinha atrás 

 

 

 

E o que buscam as empresas ao investir em Internet das Coisas? De acordo com o estudo feito pela Logicalis e divulgado em outubro de 2018, a maior parte das companhias brasileiras deseja conquistar mais eficiência operacional (18%). Em segundo lugar vem o aumento de produtividade e agilidade (17%), seguida da inovação (16%). A melhoria da experiência do cliente fica na quarta posição nesse ranking com 14%.

 

Analisando as vantagens da nova tecnologia pela lente dos setores das indústrias, de maneira geral, as organizações procuram solucionar questões estratégicas relacionadas ao seu core business. O segmento de manufatura busca mais eficiência operacional (21%), enquanto o agronegócio quer mais produtividade/agilidade (20%). Para o setor varejista, aprimorar a experiência do cliente (21%) é a principal vantagem ao implementar a IoT. Mas para oferecer uma experiência de compra realmente integrada, as empresas de varejo devem investir em outras áreas da tecnologia.

 

O Plano de Ação para a IoT 

 

Em outubro de 2017 o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) juntamente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgaram a primeira versão do que foi chamado Plano Nacional de Internet das Coisas, no qual foram discutidos fatores regulatórios que envolvem a proteção dos dados, o financiamento e os avanços da tecnologia no Brasil.  

 

O projeto tem como objetivo acelerar a implantação da IoT como instrumento de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira, aumentando a competitividade da economia, fortalecendo as cadeias produtivas nacionais e promovendo a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.  

 

Para alcançar esse propósito, o plano de ação definiu como prioridade 4 grandes áreas: Saúde, Cidades, Agronegócio e Indústria. Para cada uma delas foram estabelecidos seus objetivos estratégicos, como impulsionamento da produtividade nas indústrias, a ampliação da relevância do Brasil no comércio mundial de produtos agropecuários, o aumento da eficiência das unidades de saúde e a elevação da qualidade de vida do cidadão. 

 

Vale acompanhar as próximas notícias sobre a condução do plano, já que desde janeiro de 2019 há um novo presidente. O governo de Jair Bolsonaro já afirmou que o tema consta da pauta de discussões entre Ministérios e associações empresariais interessados no fomento da nova tecnologia. Cabe ao novo governo a aprovação do Plano Nacional de Internet das Coisas. 

 

Saindo da esfera brasileira e indo para a global, e ampliando a análise para os setores público e privado juntos, o IDC prevê que os gastos internacionais em IoT atingirão US$ 745 bilhões em 2019, representando um aumento de 15,4% em relação ao ano anterior. Os setores que terão mais investimentos são manufatura, consumo, transporte e utilities. A expectativa é que o mercado continuará a crescer a dois dígitos ao longo de todo o período de 2017-2022, atingindo US$ 1 trilhão em gastos em 2022.