Liderança na era digital: é preciso se adaptar (e rápido)

Menos de 10% dos profissionais concordam que suas organizações já têm lideranças com as habilidades necessárias para atuar na nova economia

Carolina Pereira

13/03/2020

Uma pesquisa feita pelo MIT Sloan Management Review e a Cognizant mostrou que, enquanto 82% dos executivos acreditam que os líderes da nova economia precisarão ter conhecimento digital, menos de 10% concordam que suas organizações já têm lideranças com as habilidades certas para prosperar na economia digital.

 

 

Embora a pesquisa, chamada The New Leadership Playbook for the Digital Age, tenha sido conduzida com líderes de todos os setores (4.394 no total), de mais de 120 países, na área de tecnologia o cenário não parece ser diferente. A maioria dos CIOs brasileiros (75,9%) já preveem que as companhias em que atuam irão passar por grandes mudanças em 2020, segundo dados da edição de 2020 da pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, realizada pela IT Mídia. Essas transformações certamente exigirão ainda mais preparo da liderança para atuar na era digital.

 

 

Como não há tempo hábil para aprender tudo, a liderança precisa ser mais compartilhada e coletiva. Neste cenário de mudanças, a pesquisa do MIT aponta que várias equipes já estão adotando novas maneiras de trabalhar e liderar. Por exemplo, muitos dos líderes entrevistados estão aumentando a transparência, demonstrando autenticidade e enfatizando a colaboração e a empatia com seus times.

 

 

O fato é que, em ambientes cada vez mais digitalizados e dominados pela alta tecnologia, as habilidades técnicas estão dando lugar para características que não podem ser substituídas por máquinas, como pensamento crítico e capacidade de resolver problemas. São as tão comentadas soft skills, que estão mais em alta do que nunca.

 

 

Neste cenário, a capacidade de ser adaptável se torna imprescindível para quem quer sobreviver às mudanças. Não é à toa que essa habilidade aparece entre as cinco soft skills mais procuradas pelas empresas em uma lista feita pelo LinkedIn, criatividade, persuasão, colaboração e inteligência emocional.

 

 

“Novos modelos de negócios, formas de planejamento e de execução, formatos de trabalho e tecnologias estão movimentando o cenário organizacional. Portanto, se permanecermos com nossas formas tradicionais de pensar e agir, estaremos fadados à irrelevância, à estagnação”, aponta Djenane Rocha, da Afferolab, neste artigo escrito para a IT Trends.

Mas adquirir novas habilidades, no entanto, pode não ser suficiente para que as empresas tenham modelos de gestão bem sucedidos na era digital. “O principal desafio da liderança na economia digital, no entanto, não é simplesmente adotar um grupo de comportamentos ou alcançar um conjunto de competências. O desafio mais profundo é desenvolver uma nova mentalidade que informa e promove esses comportamentos”, alerta o relatório do MIT.

 

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“No meio de tanta transformação digital, o maior desafio para qualquer líder não é tecnológico, mas sim, a gestão pessoas. Por isso, as características necessárias para administrar bem esta era digital está mais relacionada com a forma com que você lida com os outros”, afirma Richard Vasconcelos, CEO da LEO Learning Brasil, empresas de educação corporativa digital. Vasconcelos, que é mestre em Tecnologias Educacionais pela University of Oxford, dá cinco dicas para os líderes que querem melhorar sua gestão na era digital:

 

  • Agilidade mental: é preciso desenvolver a habilidade de resolver desafios complexos e analisar informações de forma crítica, sem medo de errar. É preciso encarar os erros como aprendizado.

 

  • Adaptação a mudanças: em um mundo de alta velocidade, ninguém pode ficar preso ao passado, por isso, o líder precisa estimular e provocar as mudanças rapidamente. Ele precisa inovar, assumir riscos e ser criativo.

 

  • Foco nos resultados: diante de tanta tecnologia, um grande desafio é ser produtivo. Gestão do tempo é uma habilidade importante para definir objetivos e prioridades e ter foco para alcançar os resultados.

 

  • Habilidades interpessoais: filmes como O Lobo de Wall Street ou Jerry Maguire mostram como era o ambiente de trabalho nos anos 90, muito competitivo, e para crescer era necessário passar por cima das pessoas. No contexto atual, um líder precisa cada vez mais de habilidades interpessoais para gerir a sua equipe. Ele precisa estabelecer e manter relações com pessoas, criar empatia, ter inteligência emocional, saber desenvolver pessoas e inspirar confiança.

 

  • Autoconsciência: nas redes sociais a grama do vizinho sempre parece estar mais verde, por isso, é importante ter autoconhecimento para desenvolver autoconfiança e equilíbrio emocional. O líder precisa conhecer os seus pontos fortes e pontos fracos, deve buscar e dar feedback constantemente e fortalecer suas habilidades e compensar os gaps de conhecimentos.

 

Fontes de conhecimento

 

No Brasil, a ferramenta mais utilizada para adquirir novos conhecimentos são os eventos de tecnologia, apontados por 56,5% dos CIOs entrevistados. Os próprios fornecedores de tecnologia aparecem em segundo lugar na lista, citados por 41,3%. Afinal, conforme apontam especialistas, para aprender não é preciso mais estar em uma sala de aula – é preciso estar pronto para absorver conhecimento ao longo da vida, online e offline.

 

 

Em meio a essa crescente necessidade de adquirir conhecimento, o conceito de microlearning vem ganhando cada vez mais adeptos nas empresas. A explicação é simples: com a alta competitividade do mercado e o dia a dia cada vez mais corrido, os profissionais buscam treinamentos que os ajudem a solucionar desafios imediatos no ambiente de trabalho. Não é o fim da especialização, claro. As pílulas de aprendizado servem como porta de entrada para uma capacitação mais longa.

 

 

“O mesmo celular em que você passa horas no Whatsapp pode se tornar a sua ferramenta de atualização, em que 20 minutos por dia são suficientes para aprender algo novo. Os podcasts são uma ótima alternativa para quem precisa aprender algo novo a cada dia mas não tem o tempo de ficar sentado em uma sala de aula ou parado na frente do computador”, aconselha Vasconcelos.