Low-code: as vantagens e desvantagens do tal código baixo

Este tipo de plataforma abre oportunidade para que mais profissionais possam criar aplicativos, tornando mais democrático o processo de desenvolvimento

Françoise Terzian

10/01/2020

Low Code Development Platform (LCDP), plataforma de desenvolvimento de código baixo, consiste em um software que fornece ambiente gráfico para os programadores criarem aplicativos com pouca ou nenhuma programação manual, ao invés da programação tradicional. Trata-se de um maneira visual e mais rápida e prática de desenvolver aplicações. Odiado por alguns desenvolvedores, já que reduz a dependência de profissionais altamente qualificados tecnicamente e, e amado por muitas empresas em busca de agilidade e redução de custos, o low-code é a bola da vez da era da Transformação Digital para acelerar as inovações.

 

 

No momento em que “toda empresa tornou-se uma empresa de software”, observa Daniel Hoe, diretor de Marketing da Salesforce para a América Latina, o low-code tornou-se uma abordagem de desenvolvimento de aplicativos essencial para o contexto atual da tecnologia nas empresas.

 

 

“As plataformas de desenvolvimento de código baixo reduzem a quantidade de codificação manual tradicional, permitindo a entrega acelerada de aplicativos de negócios. Um benefício comum é a redução significativa dos custos com desenvolvimento de aplicações e, principalmente, os atrelados à manutenção, que estatisticamente correspondem a mais de 70% do custo total do ciclo de vida”, afirma Ricardo Recchi, country manager da Genexus Brasil.

 

“As plataformas de desenvolvimento de código baixo reduzem a quantidade de codificação manual tradicional, permitindo a entrega acelerada de aplicativos de negócios. Um benefício comum é a redução significativa dos custos”

O low-code também permite que uma gama maior de pessoas possa contribuir para o desenvolvimento dos aplicativos. Ou seja: não apenas aqueles com habilidades formais de programação. “A plataforma pode se concentrar no design e desenvolvimento de um tipo específico de aplicativo, como bancos de dados, processos de negócios ou interfaces de usuário, interfaces entre diferentes sistemas, bem como aplicativos da web ou mobile”, explica Recchi.

 

 

Segundo Hoe, são três os principais fatores a favor da adoção crescente de low-code:

 

 

  1. Possibilitar que os usuários de negócios testem conceitos e apps sem a necessidade de que cada nova demanda de negócio entre na fila de solicitações de TI.
  2. Manter os times de TI enxutos, concentrados em projetos de inovação mais complexos.
  3. Ajudar a fechar o hiato de capacitação em TI. Com as inovações constantes em tecnologia, é difícil que times de desenvolvimento estejam sempre atualizados. As plataformas de desenvolvimento low-code, por meio de serviços baseados na nuvem, permitem que a complexidade fique abstraída dos desenvolvedores.

 

 

A Salesforce foi pioneira e evangelista na abordagem de desenvolvimento low-code. Desde 1999, ela oferece esta opção aos clientes, por meio da abordagem de metadados que já permitia a usuários de negócios a criação de apps simples sem a necessidade de conhecimento profundo de programação. Com nuvem e SaaS, a tecnologia foi democratizada e isso permitiu um novo tipo de relacionamento entre times de TI e negócios.

 

 

“Somos fãs das abordagens de low-code pelos benefícios de produtividade, agilidade e foco nos clientes finais e usuários de negócios, mantendo um ambiente com governança e segurança”, afirma Hoe. A gigante complementa que é da diversidade e de abordagens híbridas de desenvolvimento de aplicativos que nascem projetos rápidos que encantam os clientes.

 

 

Como lembra o executivo da Salesforce, o mundo vive hoje na era do cliente conectado e digital. No Brasil, por exemplo, 89% dos consumidores dizem que a experiência oferecida por uma marca é tão importante quanto o produto ou o serviço em si. “As empresas estão sob pressão para digitalizarem seus processos de negócios e oferecer experiências superiores. As áreas de TI estão adotando o desenvolvimento low-code para aumentar a velocidade de entrega de aplicativos, reduzir o backlog de projetos e permitir uma relação com os times de negócios baseada em princípios de desenvolvimento ágil, com entregas mais rápidas e frequentes”, explica Hoe.

 

 

A combinação de expectativas crescentes de clientes e usuários de negócios com o ritmo acelerado de inovações tecnológicas está fomentando o crescimento de low-code nas empresas.

“As empresas estão sob pressão para digitalizarem seus processos de negócios e oferecer experiências superiores. As áreas de TI estão adotando o desenvolvimento low-code para aumentar a velocidade de entrega de aplicativos”

 

Governança é fundamental

 

 

Para aproveitar os benefícios de produtividade, ganhos financeiros e velocidade associados com o desenvolvimento low code de aplicações é fundamental que as empresas adotem plataformas robustas de desenvolvimento com a governança necessária para garantir que os padrões e processos determinados pelas áreas de TI sejam seguidos. “As plataformas mais modernas têm inovado na parte de ambientes de testes e treinamento para permitir que administradores colaborem com a área de TI na criação de novos apps e funcionalidades sem comprometer a segurança dos dados e das aplicações”, explica Hoe, quando questionando sobre o comprometimento da segurança com low code.

 

 

O código baixo, porém, traz as seguintes desvantagens, segundo Recchi:

 

 

  • Aprisionamento tecnológico ao fornecedor da plataforma low-code
  • Rejeição da plataforma pelos “desenvolvedores tradicionais” que não querem perder “poder”
  • Custo com Run-Time (tempo de execução). Alguns fornecedores cobram taxas por Run-Time à medida em que o aplicativo vai ampliando a quantidade de usuários ou instalações. Isso inviabiliza escalabilidade de aplicações. A Genexus, garante, não cobra por Run-Time.

 

 

Novo campo de trabalho

 

 

O low-code abre um novo campo de trabalho para os profissionais. Ele se coloca como uma oportunidade para que todos possam criar aplicativos, democratizando o processo de desenvolvimento. Mas vale lembrar que o desenvolvedor low code, explica Recchi, é, sim, um desenvolvedor. Ele apenas não necessita ser “especialista ou profundo conhecedor das tecnologias todas envolvidas”. Mas, necessita deter conhecimento básicos sobre lógica de programação e banco de dados. E deve, obviamente, realizar os treinamentos específicos da plataforma low-code que irá utilizar.

 

 

No site da GeneXus, por exemplo, há vários cursos online gratuitos. “Temos também várias opções de licenciamento da plataforma: com versões especiais (mais baratas) para estudantes e start-ups”, recomenda Recchi.

 

 

Já a Salesforce oferece uma plataforma de capacitação gratuita e gameficada – Trailhead. Com ela, qualquer um pode se tornar um especialista nas soluções Salesforce, de maneira mais simples e rápida. O próprio Trailhead tem um módulo de capacitação de “Desenvolvimento sem Código”.

 

 

Recchi diz que os profissionais capacitados em low-code podem desenvolver aplicações completas (para múltiplos ambientes como web e mobile), com prazos e custos inferiores ao modelo tradicional, que normalmente requer vários perfis de profissionais para concluir o projeto. “Com isso, a gama de projetos e receitas que um desenvolvedor low-code pode aferir é uma vantagem enorme.”

 

 

O desenvolvedor low-code, como não necessita gastar muito tempo com a atualização técnica (já que a LCDP irá fazer isso por ele), poderá dedicar mais tempo em conhecer melhor os processos e características do “negócio da empresa”, facilitando assim uma carreira executiva de maior aporte de valor para a empresa.

 

 

“Além disso, o desenvolvedor low-code poderá eventualmente criar a própria empresa de desenvolvimento de aplicativos e oferecer prazos e custos muito menores do que a concorrência que usará o modo tradicional (manual)”, defende Recchi.

 

 

Em termos salariais, como funcionário regular, Recchi acredita que um desenvolvedor low-code possa ganhar entre 60% a 100% do valor típico dos desenvolvedores tradicionais (manuais). Como empreendedor, “o céu é o limite”.