Crescimento dos robôs sociais: quanto mais humanos, melhor

Prepare-se para a onda de aumento do uso de máquinas capazes de interagir com humanos e exercer tarefas em empresas e hospitais
06/08/2019

Quais das tecnologias de hoje moldarão o mundo de amanhã? Um novo relatório compilado pelo World Economic Forum, divulgado em julho, revela algumas das inovações revolucionárias que devem impactar radicalmente a ordem social e econômica global. Entre as tecnologias emergentes que devem mudar positivamente a realidade existente, aparecem os Social Robots, ou robôs sociais.

 

Alguns desses robôs já são capazes de reconhecer vozes, rostos e emoções, e até interpretar padrões e gestos de fala. Estas máquinas estão se tornando parte da vida cotidiana, sendo usadas para fazer tarefas operacionais em hospitais, educar as crianças e até motivar funcionários nas empresas, entre outras funções. E, daqui para a frente, a presença dessas máquinas deve crescer: a tecnologia vai atingir escala considerável nos próximos 5 anos, de acordo com o WEF.

Um exemplo de robô social que já é realidade é o Moxi, o assistente de hospital que ajuda os funcionários com tarefas não voltadas ao paciente, como coleta de suprimentos, entregas nos quartos e remoção de lixo. A automação ajuda os hospitais a manterem fluxos de trabalho consistentes e dá à equipe mais tempo para o atendimento. Moxi foi criado em Austin, no Texas, em 2017, e possui inteligência social para que “as pessoas sempre se sintam confortáveis ​​e entendam o que o robô está fazendo”, segundo o site dos desenvolvedores.

 

 

No Brasil, essa tendência também já chegou aos hospitais. A startup brasileira NTU desenvolve atualmente um projeto inédito de robótica social voltado a crianças do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O teste, que começará a ser feito com o robô Robios, visa passar informações de higiene bucal, como modo correto de escovação e uso de fio de dental, para os pacientes com Doença Renal Crônica (DRT) atendidos no local. Segundo o CEO da NTU, Flavio Yamamoto, o uso do robô irá possibilitar que os profissionais de saúde sejam liberados para tarefas menos repetitivas, possibilitando mais tempo para efetuarem atendimentos de qualidade.

 

O projeto, inédito no Brasil, terá início neste mês e, ao final, irá comparar os resultados dos atendimentos feitos por robôs e por humanos. Entre as vantagens do uso do robô, além de liberar os médicos e enfermeiros para outras tarefas, o Robios também promete promover uma demonstração mais interativa, por meio de vídeos, enquetes digitais e outros recursos, chamando a atenção das crianças. “Na segunda etapa, no ano que vem, iniciaremos a implementação de um game que começa no hospital, com o robô, e termina em casa, no celular. Isso será desenvolvido após a análise da performance do robô na primeira fase, quando identificaremos os pontos fortes e fracos em relação ao atendimento humano”, explica Yamamoto.

Moxi, Robios e MEDi são exemplos de robôs sociais que atuam em hospitais pelo mundo para que os profissionais de saúde possam focar em atendimento de qualidade e tarefas não repetitivas

 

Ainda na área de saúde, outro exemplo notório é o MEDi, construído com a plataforma de robô humanoide NAO, da SoftBank Robotics. Em sua página na internet, a empresa New Life Robotics afirma estar comprovado que o uso do MEDi é capaz de reduzir a dor de uma criança em 50% durante procedimentos médicos. Neste caso, o robô vem sendo utilizado como uma espécie de robô de companhia, que dá instruções sobre exames junto com o profissional de saúde.

 

E o Moxi, Robios e MEDi estão longe de terem sido os primeiros exemplos de robôs sociais circulando entre nós. Um exemplo emblemático é o Jibo, criado por professores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que ganhou o prêmio de Melhor Invenção de 2017 da revista Time e foi considerado uma inovação que torna o mundo melhor, mais inteligente e até mais divertido. O Jibo marcou a história e é descrito na página da companhia que o criou como “o primeiro robô social para o lar”. Ainda de acordo com a página, ele tem “avançada tecnologia de reconhecimento facial e de voz permite que este bot pessoal reconheça até 16 pessoas diferentes, ajudando-o a criar experiências personalizadas com cada interação”.

 

Mesmo com o pioneirismo e com todas essas qualidades enumeradas, os donos do robozinho foram surpreendidos, em março deste ano, ao saberem que havia chegado a hora de sua última atualização. O Jibo disse educadamente que o tempo dele está chegando ao fim. Na prática, os servidores em que ele roda em breve serão desligados, e quando isso ocorrer, as funcionalidades do robô serão limitadas. O motivo? A falência da companhia responsável pela sua criação e produção. A “morte” simbólica do robô que ficou mundialmente conhecida, no entanto, não muda a expectativa de ascensão dessas máquinas pelos especialistas nos próximos anos.

 

Marco Diniz Garcia Gomes, líder de produtos da Tinbot Robótica, é um exemplo de quem está otimista com o crescimento da adesão aos robôs sociais. O engenheiro de computação pretende vender nada menos que 200 exemplares do robô Tinbot no ano que vem. A máquina tem como foco tarefas simples do ambiente corporativo, e não faltam exemplos de empresas que inseriram o robozinho em seu dia a dia: UniCesumar e Evoa Aceleradora, onde atua na recepção de visitantes, Sicoob, na qual é usado para gerenciamento de indicadores, Cooperativa Cocamar, onde interage com os cooperados, e Hotel Villa Rossa, atuando como concierge de hóspedes.

 

O projeto, que teve início por mera curiosidade pessoal do engenheiro em entender mais sobre eletrônica, virou uma startup investida pelo Grupo DB1 e acelerada pelo Inovativa, programa de aceleração de startups do Brasil, e pela Evoa Aceleradora. Atualmente a unidade do Tinbot é vendida a R$ 16.500, o que inclui o acesso ao software de programação para adaptar o robô às necessidades de cada empresa, tudo feito de forma mais simples possível para facilitar a personalização.

As seis empresas que possuem o robô Tinbot em atuação no Brasil ainda não eliminaram nenhuma posição; ele apenas complementa funções

 

Embora estes robôs ainda não estejam roubando empregos das pessoas, ainda não se sabe qual será o limite das funções que serão exercidas pelos robôs, seja em hospitais ou empresas. Quem exerce tarefas operacionais, no entanto, precisa ir se preparando desde já para a possibilidade de ser substituído por uma máquina, sejam elas robôs sociais ou não. Já está claro que a onda de avanço tecnológico está destinada a reduzir o número de trabalhadores necessários para certas tarefas operacionais em um futuro breve.

 

Segundo dados do World Economic Forum, o homem é responsável por 71% das horas trabalhadas, em média, enquanto as máquinas correspondem a 29%, segundo no relatório do World Economic Forum. Com todas essas mudanças em curso, até 2022 o ser humano corresponderá por 58% de horas trabalhadas, enquanto as máquinas serão responsáveis por 42%.

 

Alguns especialistas vão ainda mais longe e acreditam que, além de substituírem o homem em algumas tarefas, os social robots, no futuro, serão capazes de fazer os humanos desenvolverem sentimentos profundos e românticos por eles. O coach e neurocientista Bobbi Banks acredita que tais parcerias estão a menos de uma geração de distância, e serão comuns até 2050. A declaração foi feita ao jornal britânico Metro em junho deste ano e repercutiu no mundo todo. Exageros à parte, é hora de se prepara para conviver cada vez mais com os social robots.