O que é e por que você deve investir em Data Literacy

Em 2020, a habilidade de ler, trabalhar, analisar e argumentar com dados será uma das aptidões exigidas pelas organizações

Cesar Ripari*

29/12/2019

Daqui a cinco anos, 35% das habilidades profissionais que hoje são consideradas essenciais vão mudar, é o que aponta uma pesquisa do World Economic Forum. Em parte, isso se justifica pelo uso cada vez mais frequente da tecnologia nos ambientes de trabalho. As máquinas aceleram processos e passam a coletar, gerar e processar uma quantidade gigantesca de dados, que se tornam inúteis para as empresas se os colaboradores não possuírem a capacidade para extrair insights e tomar decisões melhores com base nessas informações.

 

Em 2020, a habilidade de ler, trabalhar, analisar e argumentar com dados – data literacy (ou alfabetização de dados, em português) – será uma das aptidões exigidas pelas organizações. Principalmente em um ano no qual a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrará em vigor e fará com que todos os colaboradores sejam responsáveis por cuidar da segurança e privacidade das informações. A explosão de dados e a LGPD são apenas dois dos motivos que fazem crescer a procura por candidatos com um entendimento básico em dados.

 

De acordo com a IBM, pessoas alfabetizadas em dados serão responsáveis por um terço do mercado de trabalho com um aumento de 14% dessas posições até 2020. O mais desafiador é que apenas 1 em cada 4 tomadores de decisão (níveis gerenciais) são capazes de chegar a uma decisão de negócios apenas se baseando em dados. Esse número é resultado de uma pesquisa da Qlik feita com mais de 7 mil pessoas no ano passado. Esse mesmo estudo demonstrou também que os jovens, na faixa de 16 e 24 anos, ainda que nascidos na era digital, colaboram para a piora desses índices: apenas 1 em cada 5 conseguem tomar uma decisão baseada em dados.

O mais desafiador é que apenas 1 em cada 4 tomadores de decisão (níveis gerenciais) são capazes de chegar a uma decisão de negócios apenas se baseando em dados

Isso mostra que todos aqueles que invistam na melhoria de suas competências em dados, independente da sua formação, poderão acessar melhores oportunidades de carreira. O importante é perceber que não é preciso ser um cientista de dados ou analista desse segmento para aprender essa nova língua. Desde a área de marketing e desenvolvimento de produtos até o atendimento ao cliente, os dados fornecem às organizações uma vantagem competitiva quando estão nas mãos daqueles que podem usá-los para tomar decisões informadas e oportunas.

Em uma recente pesquisa encomendada pela Qlik, mais de dois terços das corporações declararam que estão procurando ativamente profissionais alfabetizados em dados e 75% relataram pagar salários mais altos aos colaboradores que apresentam essa aptidão. E melhor, esses candidatos não precisam ter diplomas na área. Enquanto quase 60% das empresas alegam que analisam as competências em dados por meio de experiências anteriores ou a partir dos resultados de um estudo de caso – quando a pessoa precisa, no processo seletivo, resolver um problema de negócio – apenas 18% consideram o diploma de bacharel ou mestrado em ciências como principal fator ao contratar.

Mais de dois terços das corporações declararam que estão procurando ativamente profissionais alfabetizados em dados e 75% relataram pagar salários mais altos aos colaboradores que apresentam essa aptidão

Se seu objetivo é acompanhar as mudanças do mercado e se preparar para os locais de trabalho do futuro, além de apresentar características como inteligência emocional, criatividade, flexibilidade, adaptabilidade e conhecimento técnico, será preciso alfabetizar-se em dados. Assim, você se tornará mais valioso para as empresas, ainda mais em um cenário em que a minoria dos colaboradores está confiante em suas habilidades em lidar com dados.

 

*Cesar Ripari é diretor de pré-vendas América Latina da Qlik