Seu emprego vai desaparecer?

Separamos cinco profissões com altíssimo risco de sumir no curto prazo pelo acelerado processo de automação com robôs e inteligência artificial

Vitor Cavalcanti

09/08/2019

Dia sim, dia não você deve se deparar com algo nas mais diversas plataformas que fale sobre transformação digital, futuro, inteligência artificial. Para alguns, isso é realidade e não tem discussão, mas, para uma maioria, esse tipo de solução parece algo distante. Ledo engano. Talvez, até por uma questão de execução de trabalhos mais simples, esse pacote de tecnologias emergentes tende a afetar muito uma maioria, e de forma avassaladora, caso essas pessoas não estejam atentas aos movimentos do mercado de trabalho e preparadas para assumir outro tipo de atividade.

Veja aqui se seu emprego pode desaparecer até 2026

Aqui no IT Trends nossa missão é ajudar a todos que entenderam que tecnologia causará uma revolução e sabem que é preciso entender mais sobre os mais diversos temas para se manter relevante; seja como profissional ou como empreendedor. Em meio a esse turbilhão de coisas que estão acontecendo, a única certeza que se tem é que não haverá emprego da forma como se conhece atualmente para todos, assim, aprender e desenvolver novas habilidades é essencial para você surfar nessa onda que se forma. Neste texto, separamos cinco profissões que estão com risco de automação bastante elevado para os próximos 10 anos.

 

Mas atenção: isso não significa que você corre risco de ficar sem trabalho em 10 anos, o que estamos dizendo é que nesse intervalo de tempo esses cargos desaparecerão e as substituições de pessoas por robôs e sistemas de inteligência artificial ocorrerá em levas, de acordo com os investimentos de cada empresa. É bom ressaltar ainda que, no caso de operadores de telemarketing, esse tempo de automação pode ser até mais curto, visto que, em países como Japão, centrais já começaram a rodar pilotos substituindo equipes inteiras por plataformas com inteligência cognitiva. Caso você não se enquadre nessa lista, não se preocupe: iremos falar de diversas outras profissões, além, claro, de sugerir caminhos para se manter relevante profissionalmente e ganhar dinheiro na economia digital. Mas se você não se enquadra, mas conhece alguém que esteja em um desses postos, compartilhe. Essa pessoa precisa ser alertada o quanto antes.

1 – Operadores de Telemarketing

 

Dados de diversos institutos de pesquisas apontam para um risco de automação que chega a quase 100%, ou seja, se você ocupa esse tipo de trabalho, não importa a denominação dada pela empresa, é preciso se mexer já. Caso você demore para agir, pode não ter tempo hábil de desenvolver capacidades para um novo cargo e ficar apenas com funções não tão nobres ou, ainda, ter de partir para o empreendedorismo no desespero, o que também não é legal. Plataformas de chatbots e de inteligência cognitiva têm sido amplamente testadas para substituir centrais de atendimento mundo afora. No Brasil, grandes bancos já testam isso no atendimento prévio e, também, internamente como suporte aos funcionários. Fora do país, já existem companhias que trocaram equipes inteiras por um sistema de inteligência artificial.

 

Logo de cara, algo que um operador de telemarketing pode se propor a fazer é treinar os chatbots para prestarem um atendimento mais humanizado. É aquela máxima, se não pode contra eles, junte-se a eles. Estamos, sim, sugerindo que você treine a ferramenta que irá te substituir. Isso te ajudará, inclusive, a imergir mais no mundo de tecnologia e até a descobrir talentos que estavam escondidos. Além disso, muitos têm habilidade comunicacional elevada, algo bastante apreciado pelas empresas e que pode ser desenvolvido para uso em áreas comerciais mais sofisticadas, já que essas tendem a continuar e ganhar importância. Pela sensibilidade com o cliente, outra possibilidade de trabalho para um operador de telemarketing é em equipes de experiência do usuário, batizada de UX (sigla em inglês para essa função), onde times multidisciplinares monitoram toda a experiência do cliente e sugerem melhorias de produto e navegação para reter, vender mais, dar velocidade ao processo, entre outros.

 

2 – Bancário (abertura de contas)

 

Por mais que possa parecer estranho, se você observar os noticiários econômicos, os grandes bancos têm adotado estratégias de fechamento de agências e de ressignificação desses espaços físicos para locais muito mais de acolhimento do cliente, com atendimento e cuidado altamente personalizado e muito menos para operações transacionais simples como abertura de conta ou pagamentos de forma geral. Assim, o nível de automação da pessoa que fica sentada em uma mesa esperando clientes para abertura de conta também deve desaparecer e muito rapidamente, com nível de automação tão alto quanto do operador de telemarketing.

 

Não precisa pensar muito ou mesmo imaginar mercados que não o brasileiro para estruturar esse cenário. Diversas fintechs que surgiram no Brasil, começando pela Nubank, talvez, a mais famosa, e até mesmo o Banco Original, que foi precursor em levar todo o processo de abertura de conta para um aplicativo móvel, mostram que o processo de automação no setor financeiro é altamente elevado e com ampla aceitação da população. Cada vez mais as pessoas buscam por facilidades e conveniência e esses sistemas trazem isso. Todas essas fintechs precursoras, forçaram a modernização de algumas regras no Banco Central e provocaram sérias mudanças nos grandes bancos, principalmente Bradesco, Itaú e Santander, que correram para modernizar suas plataformas de atendimento para permitir o maior número de operações possível pela internet, incluindo a abertura de contas. Assim, amigo, corra para assumir outras posições na instituição financeira que você trabalha ou comece a vislumbrar outra carreira, de preferência uma que envolva alguma dose de tecnologia.

 

3 – Assistentes administrativos

 

Aqui também estão incluídas as secretárias, que, se você observar, já teve uma diminuição em várias empresas. Se antes, era comum uma secretária ou assistente administrativo exclusivo para diversas camadas de liderança, isso tem virado raridade. Cada vez mais, tarefas como rotinas administrativas, filtragem de correspondência, programação de reuniões, organização e manutenção de arquivos eletrônicos e de papel, ou mesmo atender ligações para prover informações genéricas, têm caído em desuso, seja pela automação ou porque as pessoas encontraram outras formas de organizar a vida. Aplicativos e plataformas cada vez mais inteligentes como a suíte do Google permitem, inclusive, programar respostas padrão para e-mails, sugerem melhores horários para reuniões e enviam lembretes diversos para que um profissional não deixe passar um compromisso.

 

Assistentes administrativos e secretárias têm a vantagem da alta organização e atenção aos detalhes, características que podem ser aplicadas em outros cargos e posições ou, para quem deseja se aventurar numa rota empreendedora, auxiliam bastante a ter um negócio mais bem organizado e com atenção adequada aos clientes logo de partida.

 

Cada vez mais as tarefas como rotinas administrativas têm caído em desuso, seja pela automação ou porque as pessoas encontraram outras formas de organizar a vida.

4 – Caixa

 

No caso de caixas bancários, se aplica a mesma lógica do bancário que efetua apenas abertura de contas. Com a popularização do uso dos aplicativos bancários e uma aceleração do baixo uso de dinheiro em espécie, reduzindo saques na boa do caixa, a tendência é de queda brusca e uma caminhada para extinção dessa profissão. Só falando de smartphones, um estudo da Deloitte, apontou que mais de 90% da população tem acesso a smartphones, ou seja, pode utilizar um de amigo ou parente mesmo não possuindo o aparelho, isso abre um caminho gigantesco para efetivação das mais diversas operações executadas por um caixa bancário serem realizadas dentro de um aplicativo.

 

Indo mais adiante, não é de hoje que varejistas no exterior adotam o chamado self check-out, ou seja, um equipamento onde o próprio cliente faz a leitura dos códigos de barra e efetua o pagamento nas máquinas de cartão. Afora isso, o movimento de compra online, que antes era mais restrito a eletrônicos, roupas e livros, expandiu-se e popularizou-se entre alimentos e bebidas, cravando uma tendência de redução drástica de lojas físicas e, consequentemente, dos milhares de profissionais que ocupam a posição de caixa. Não querendo apressar e nem te amedrontar, mas já está passando da hora de refletir sobre suas habilidades, estudar e prepara-se para ocupar outros trabalhos.

 

5 – Concierge

 

Novamente, a economia dos aplicativos chegou para facilitar a vida de muitos, mas criar situações talvez complicada para outros. No caso dos concierges, é um complicador. Se antes era até chique chegar num hotel e utilizar o serviço de concierge para recomendação de restaurante e reserva de mesa no mesmo, ou entender a dinâmica da cidade, ter sugestões de passeios, entre outros, isso caiu totalmente em desuso. Aplicativos como Google Maps, TripAdvisor, Yelp, entre tantos outros, transformaram o smartphone em um concierge 24 horas na palma da mão das pessoas. O mesmo raciocínio vale para concierges de shoppings, que, basicamente, passam informações sobre lojas existentes e posicionamento delas. Aplicativos e totens eletrônicos espalhados por esses locais resolvem e tornam desnecessária essa função.