Empreg(h)abilidade

Você já está pronto para o futuro do trabalho?

Sua sobrevivência depende da capacidade de aprender e desaprender; prepare-se

Você já está pronto para o futuro do trabalho?

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Da Redação

O economista e futurista Alvin Toffler foi responsável por criar, ainda na década de 80, o conceito de Terceira Onda (The Third Wave), que simboliza a revolução do conhecimento na sociedade. Essa revolução chega após as revoluções agrícola e industrial e é marcada pela importância do acesso, armazenamento, distribuição e disseminação de informações, que passam a ter papel central na economia mundial. Afinal, o volume de informação produzido nos últimos dois anos é maior do que a quantidade criada em toda a história da humanidade. As ondas definidas por ele correspondem a transformações profundas da sociedade, que deixam muita coisa obsoleta, mas também criam novas oportunidades.

 

Neste cenário, o valor dos produtos e serviços disponíveis em todos os setores depende muito mais do percentual de tecnologia e inteligência a eles incorporados. O principal meio de produção é o “cérebro” das empresas, criando uma nova realidade de trabalho para todos. De acordo o World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), em seu último relatório sobre o Futuro do Trabalho (The Future of Jobs Report 2018), as oportunidades inerentes à prosperidade econômica, progresso social e florescimento individual neste novo mundo de trabalho são enormes, mas dependem crucialmente da capacidade de todos os interessados em promover reformas.

 

Tais reformas passam pelos sistemas de educação e formação, políticas do mercado de trabalho, abordagens empresariais para desenvolver competências, acordos de emprego e contratos sociais existentes. ­­­­E, claro, pela capacidade e empenho de cada profissional de se adaptar individualmente. Em resumo: as novas configurações do mercado de trabalho trazem ameaças, mas também oportunidades àqueles que souberem e conseguirem se preparar.

 

Ainda de acordo com o World Economic Forum, como tem sido o caso em toda a história econômica, espera-se que este novo cenário crie tarefas totalmente novas — desde o desenvolvimento de aplicativos até a pilotagem de drones para monitorar remotamente a saúde dos pacientes — abrindo oportunidades para toda uma nova gama de meios de subsistência para os trabalhadores no mundo todo nos próximos anos. Ao mesmo tempo, entretanto, também está claro que a onda de avanço tecnológico da chamada Quarta Revolução Industrial está destinada a reduzir o número de trabalhadores necessários para certas tarefas operacionais.

A grande questão é, os profissionais já estão preparados para as consequências de todo esse processo de transformação digital que estamos vivendo? Se não, como estar pronto para esse novo cenário? O primeiro passo desse processo é ter consciência da necessidade de mudança. Como disse Toffler, “o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. Afinal, as transformações da força de trabalho não são mais um aspecto de um futuro distante. Elas já estão acontecendo.

 

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E o profissional de TI, como fica?

 

Neste cenário, as mudanças e a necessidade de adaptação são ainda maiores para os profissionais de TI que para os demais. Isso porque a área de Tecnologia da Informação é responsável por ser a mais engajada na exploração de novas tecnologias e inovação, como prova o gráfico abaixo, extraído da pesquisa “As 100 Mais Inovadoras no Uso da TI”, de 2018. Para a grande maioria (91,9%), a área de TI está no centro da transformação.

 

 

 

Ainda de acordo com o relatório do World Economic Forum, quatro tecnologias específicas serão os drivers da mudança entre 2018 e 2022, afetando positivamente o crescimento dos negócios.

 

Drivers de mudança | 2018 a 2022

 

1 – Internet móvel de alta velocidade onipresente

2 – Inteligência Artificial

3 – Difusão da adoção de Big Data Analytics

4 – Cloud

 

Fonte: The Future of Jobs Report 2018

 

 

O relatório aponta a aceleração da adoção de tecnologia: de acordo com as intenções de investimento das empresas analisadas, 85% dos respondentes apontam como provável ou muito provável a expansão da adoção de Big Data Analytics até 2022. Da mesma forma, uma grande proporção de empresas diz ser provável ou muito provável a adoção de tecnologias como Internet of Things, além de fazer uso extensivo de Cloud Computing, Machine Learning e Realidade Virtual, que vão receber um volume de investimento considerável até 2022.

 

O cenário global mostra que aqueles que quiserem atuar no mercado de TI nos próximos anos — dentro de uma sociedade voltada para o conhecimento — devem estar em linha com essas tendências. No Brasil, os dados também mostram que as tecnologias para as quais os profissionais devem estar preparados não são diferentes. Na pesquisa “As 100 Mais Inovadoras no Uso da TI” de 2018, mais de 80% dos respondentes apontaram Big Data / Analytics e Cloud Computing como tecnologias nas quais as empresas já realiza investimentos. Internet das Coisas (IoT) e Machine Learning despontam entre os investimentos previstos para os próximos dois anos, entre os temas apontados pela pesquisa.

 

 

 

Seu novo colega de trabalho será um robô?

 

A robotização é uma tendência apontada também pelo relatório do World Economic Forum. No entanto, a utilização de robôs humanoides, ao longo do período 2018-2022, pode ser considerada menos relevante que as demais tecnologias analisadas na pesquisa. Mas ao ampliar essa visão e incluir nessa conta robôs estacionários, robôs terrestres não humanoides e drones aéreos automatizados — além de algoritmos de aprendizado de máquina e inteligência artificial — é possível perceber que essa área da tecnologia irá impactar profundamente o mercado no futuro.

 

Muitas empresas já estão buscando adotar a robótica para melhorar a eficiência e reduzir custos. A pesquisa “As 100 Mais Inovadoras no Uso da TI” comprova esse movimento: 25% das companhias já estão investindo nessa inovação e quase 75% o fará nos próximos dois anos. Os robôs são apontados como uma das 10 tecnologias disruptivas que vão revolucionar o setor, de acordo com o levantamento.

 

 

O questionamento que deve ser feito a partir de agora não é sobre quantas vagas de trabalho a robótica vai extinguir, mas sim como e sob que condições o mercado de trabalho alcançará um novo equilíbrio na divisão entre trabalhadores humanos, robôs e algoritmos. Por isso é tão importante as empresas, os profissionais e o governo se unam para discutir e implementar mudanças no sistema de educação, de profissionalização, nas políticas do mercado de trabalho e nos acordos de emprego.

 

É muito provável que os robôs humanoides voltados para a área de serviço sejam comercializados já no início de 2020. Restaurantes, bares e cozinhas poderão usufruir das vantagens da automação robótica de suas operações muito em breve, segundo o estudo da Bain & Company, “Labor 2030: A Colisão de Dados Demográficos, Automação e Desigualdade”. Já imaginou ter seu prato preferido feito por um robô cozinheiro?

 

Hoje, o homem é responsável por 71% das horas trabalhadas, em média, enquanto as máquinas correspondem a 29%, segundo no relatório do World Economic Forum. Com todas essas mudanças em curso, até 2022 o ser humano corresponderá por 58% de horas trabalhadas, enquanto as máquinas serão responsáveis por 42%. Até mesmo funções que eram exclusivamente realizadas por pessoas, como comunicação e interação (23%); coordenação, desenvolvimento, gerenciamento e assessoria (20%); raciocínio e tomada de decisão (18%); começarão a ser automatizados (30%, 29% e 27%, respectivamente). Poucos conseguirão escapar da mudança provocada pela robótica.

 

A conclusão é que, se por um lado as novas tecnologias vão impulsionar o crescimento dos negócios e a criação de 133 milhões de novos empregos, por outro lado também irão eliminar 75 milhões de cargos que se tornarem obsoletos ou puderem ser automatizados, segundo o World Economic Forum. Os colaboradores precisam ser cada vez mais treinados e capacitados para interagir com as máquinas e, juntos, impulsionar a produtividade e aumentar os resultados das organizações. Será preciso investir em conhecimento, em mudança cultural, para oferecer às pessoas uma mentalidade ágil e flexível, capaz de absorver conhecimento a vida toda. Ufa. Que desafio gigantesco temos pela frente, não?